Porque nem todo mundo nasce com vocação pra alguma coisa. Agora eu tenho a Lis!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

1 ano de Lis!

1 dia. Há um mês eu choro todos os dias quando penso que amanhã completas 1 aninho. O primeiro ano da tua vida, o primeiro ano das nossas novas vidas. 1 ano da mais profunda transformação que nós poderíamos sofrer.
Há 1 ano atrás, a essa hora, eu sentia as primeiras contrações esquisitas. Lembro de virar pro Léo e perguntar se ele tinha pensado que seria como se estivéssemos recebendo uma prima do interior, que estaria vindo pra morar conosco pro resto das nossas vidas. Por mais que você seja "uma página em branco" da qual somos os responsáveis por escrever em linhas retas e com a letra bonita, a sua personalidade eu não posso mudar. Receber um filho é ao mesmo tempo mágico e apavorante. Quando diziam, assim que você nasceu, que eu deveria curtir muito porque passava rápido, eu não conseguia entender. Por vezes eu desejei que o tempo voasse de uma vez, pra que a adaptação acontecesse logo, pois era tudo muito difícil. Era a tal "prima do interior", folgada, que havia chegado e tomado conta do meu espaço e da minha vida sem me perguntar, em momento algum, se eu estava de acordo com as suas imposições. É doído, é difícil, é um mergulho no desconhecido. Mas ainda bem que o tempo passa, rápido, e nos mostra que pode ser também uma delícia essa transformação.
Há um mês eu procuro palavras pra definir o que sinto quando te olho, tão dependente e frágil mas ao mesmo tempo tão destemida e segura de si. O corpinho gordinho que começa a tomar forma de menina, o espírito livre que não gosta de estar grudada na gente, a tagarelice que já me mostra o quanto serás parceira em conversas intermináveis. Tenho certeza de que uma das tuas missões já completasse filha: a de me ensinar o significado de empatia, palavra que eu nem conhecia antes de engravidar. E que me fez novamente mudar o rumo da minha vida, após o teu nascimento. Me ensinasse a me colocar no lugar do outro, mais precisamente das outras, mães e mulheres, unidas e despidas de tudo aquilo que o mundo nos impõe, nuas na alma e nos sentimentos quando nos envolvemos. Tenho vontade de sair abraçando todas as mães que encontro pelo caminho, sejam elas tentantes, grávidas, recém-paridas. Tenho vontade de chorar junto e dizer, calma, o furacão logo passa, depois eu garanto que vira tudo alegria. Ao invés de dizer pra curtir que passa rápido, eu diria pra se entregar, mergulhar, viver o abismo e a paixão dos primeiros dias. O momento de voltarmos a ser aquilo que éramos antes do bebê não é agora, logo ele virá e tudo vai ficar bem. Agradeço também àquelas que me abraçaram no momento eu que eu mais precisei, tenha sido ao vivo ou virtualmente.
Celebrar o teu primeiro ano é comemorar também tudo o que passamos, sentimos, vivemos. Não nascemos pai e mãe, nos tornamos. Por vezes tropeçando, errando ao tentar acertar, vamos nos ajustando e crescendo juntos contigo. Me tornei mãe, teu pai se tornou o "baita pai". É a relação de vocês dois que ele constrói diariamente, não é por mim que ele te educa, protege ou cuida. É pra que você possa conversar com ele sempre que se sentir perdida ou insegura, pra que a relação de confiança entre vocês dois esteja sempre inabalada. Você não imagina o quanto foi difícil pra ele também essa transformação. O quanto foi preciso pra ele deixar pra trás conceitos e prioridades. Pensar nesse primeiro ano me deixa emocionada mas também muito feliz. Subitamente, acordar de hora em hora durante as noites deixou de ser algo que me incomoda, te ver gargalhando me ilumina e te ver fazendo festa na piscina de bolinha, brincando com outros bebês me faz querer chorar enlouquecidamente. Deixamos pra trás todas as dúvidas, as inseguranças, os medos. Sobrevivemos ao nascimento dos primeiros dentes, aos choros sem motivo, à primeira febre de 39 graus na madrugada, aos picos de crescimento que te deixavam o dia agarrada na teta, como um piercing de mamilo. Sobrevivemos aos primeiros tombos, ao primeiro dedo trancado na gaveta, ao primeiro tapa nas costas, virada de cabeça pra baixo, pra desengasgar o leite, depois o pinhão e as trocentas coisas que passas o dia colocando na boca. Sobrevivemos como casal, agora ainda mais fortes e unidos, embora tenhamos tido vontade de fugir ou estapear um ao outro por vários momentos. Sobrevivemos à casa bagunçada, às roupas sujas e ao cansaço que dá nos revezarmos pra poder ficar contigo em casa. Sobrevivemos à tua adaptação na escolinha, ainda que tu não vá todos os dias. Procurei todos os defeitos do mundo nas escolas, só pra não ter que enfrentar a realidade de que era eu quem não queria que tu fosse. E agora posso dizer que não só sobrevivemos, mas que na verdade vivemos intensamente esse teu primeiro ano, assim como desejo que sejam todos os próximos, transformadores e deliciosos. 
Que sejas cada dia mais arteira e feliz, que bagunces ainda mais a minha casa e a minha vida e me faças renascer e aprender todos os dias filha. Que o amor que eu sinto por ti exploda de tanto que dói no meu peito. E que aprendas logo a arrumar a bagunça dos teus brinquedos e dos meus armários, porque juntar tudo todos os dias dá um trabalhão!
Falta 1 dia pra poderes assoprar a velinha que tens treinado tanto, e embora nós quiséssemos, juntar todo mundo que te ama e te acompanhou nesse primeiro ano seria impossível. Por isso não vai ter festa, mas vai ter bolinho com os avós e muita piscina pra brincares, já que amas tanto brincar na água!