Porque nem todo mundo nasce com vocação pra alguma coisa. Agora eu tenho a Lis!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Sobre a volta ao trabalho

Minha última manhã em casa com ela. Enquanto Lis dorme mais um pouco do meu ladinho, vivo uma mistura de sentimentos sobre o término da licença-maternidade. Ao mesmo tempo em que sofro, estou feliz. Ansiosa. Diria até empolgada.
Foram 7 meses e meio de dedicação exclusiva a ela. Me perguntaram em alguns momentos se eu não sentia falta de trabalhar fora, e eu sempre respondi que não, não sentia. Poderia muito bem ser mãe em tempo integral. Logo eu, que trabalhava em dois lugares, fazia faculdade e me exercitava. Eu era uma maluca. De repente, minha vida "parou". Mas não ficou menos cansativa. 
Cuidar de um bebê e da casa é um trabalho exaustivo. Quando você trabalha fora, os projetos tem começo, meio e o aguardado fim. A casa não. A casa é um projeto irritantemente inacabável. Você passa o dia lavando louça, roupa, varrendo e limpando. Isso quando o bebê deixa. Todos os dias, acordo com a meta de terminar o dia com a casa organizada. Quando vou dormir, a casa está exatamente como estava quando acordei, mesmo eu tendo passado o dia a limpá-la. É a sensação de enxugar gelo, de ineficiência, de tempo perdido o que mais irrita. Com tanta coisa que eu fazia antes da Lis, pouco me importava o estado da minha casa. Agora, se um fio de cabelo cai no chão já me incomoda, afinal, é aqui que eu passo o dia inteiro! 
Quando você trabalha fora, você tem, ainda que breves, intervalos para descanso. Quando você é mãe não. Mãe não desliga. Mãe não dorme. Mãe não descansa. Mãe não come. Mãe não faz xixi ou toma banho sem ser correndo. Chega uma hora do dia que você não tem mais o que inventar pra entreter a criança. Talvez por isso eu tenha tanta vontade de fazer meu bebê dormir cedo (o que vem sendo uma frustração aqui em casa, meu calo no pé): ter um momento meu, pra conversar com o marido, assistir uma serie, ler um livro, não fazer nada, espiar as redes sociais, qualquer coisa que seja um momento de folga dessa vida de mãe.
Voltar ao trabalho me dá a sensação de que vou ser uma mãe melhor. Uma mãe que tem o elástico que estica um pouco mais antes de arrebentar. Mais cansada, com certeza, mas mais disposta. Sair de casa, soltar o cabelo, trocar de roupa (não pijama por pijama), conversar com adultos, ler as notícias, ter projetos que acabem, ser elogiada pelos trabalhos executados. E voltar pra casa com a mente fresquinha pro meu bebê. Receber dela as gargalhadas que meu marido recebe quando chega. Porque eu tô ali o tempo inteiro e ainda sou a chata que bota os horários né? Mãe não tem graça. Hoje, eu mal assisto a um jornal, pois é bem na hora de fazer a Lis dormir. Eu mal converso com outras pessoas: eu simplesmente não tenho assunto que não seja bebês, fraldas e papinhas. Eu tenho grupos maravilhosos de mães no whattsapp, mas eu sinto necessidade de FALAR, soltar a voz, conversar ao vivo, como toda mulher.
Preciso fazer um recorte aqui: trabalho meio período e Lis não vai pra creche, o que me deixa mais tranquila. Saber que ainda teremos nossas tardes juntinhas é o que me motiva e me empolga nesse retorno. Admiro, admiro demais a mulher que sai do mercado pra se dedicar aos filhos. Tem que ter paciência e receber carinho redobrados. É claro que, se eu pudesse, ficaria em casa com ela. Continuaria a ser a primeira pessoa que vê suas descobertas, que a socorreria no momento em que precisasse. Como não posso, me contento com a ideia de que ela é do mundo e não minha, que as pessoas que cuidarão dela tem tanto ou mais amor do que eu, que a sua relação com o pai e as avós vai ficar ainda melhor e mais forte. E que ela possa se espelhar em mim pra alcançar tudo o que deseja.