Porque nem todo mundo nasce com vocação pra alguma coisa. Agora eu tenho a Lis!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

E a vida social, vai voltar ao normal?

4 meses e 23 dias. Esse é o tempo que uma pesquisa realizada por uma marca de produtos infantis relatou ser necessário para a adaptação entre a mãe e seu bebê. Arrisco dizer que levei pouco mais de 6 meses pra sentir que minha vida havia se adaptado totalmente a esse novo ser que passou a habitá-la. Essa semana, enquanto passeava com a Lis no parquinho do prédio e conversava com outras mães, notei que já havia esquecido toda a tensão e insegurança que, como toda mãe inexperiente, vivenciei desde que Lis chegou.
Muito ouvi falar que deveria viver o máximo da vida antes de ter filhos, pois depois que eles nascessem nunca mais seria igual, toda a diversão acabaria. Logo que começamos a sair de casa, depois que Lis nasceu, tive a sensação de que nunca mais eu conseguiria participar de uma roda de conversa novamente. Lis mamava o tempo inteiro, chorou algumas vezes em ambientes estranhos, me fez ficar trancada em quartos escuros ou afastada da muvuca em alguns momentos pra que se acalmasse ou simplesmente pudesse ficar mais confortável em uma cama ou tapete do que passando de colo em colo. Muitas vezes saí de casa pra relaxar e voltei ainda mais cansada e chateada, tinha a sensação de que não haveriam mais momentos de lazer na minha vida. Quando ela completou 4 meses, levamos à praia e a função proteção solar + guarda-sol + roupinha + cadeira + proteger da areia + bolsa quase me fez desistir. Ainda assim fomos, e vê-la tão pequeninha rindo da água gelada do mar me animou. Ali comecei a notar que as coisas iriam aos poucos se ajeitando.
Quando completou 5 meses saí sozinha pela primeira vez. Sozinha por mais de 3 horas. Por 8 horas. Era amigo secreto das amigas, não iriam as crianças. Marido ficou em casa, deixei meu leite, dei um mamá reforçado antes de sair e fui. A festinha seria praticamente do lado da minha casa, era só voltar correndo se precisasse. Não desgrudei do celular, embora ele não tenha tocado o dia inteiro. Quando cheguei em casa, Lis riu pra mim como se eu estivesse ali o tempo todo. Quase senti ciúmes haha, como assim ela não havia sentido minha falta? Na comemoração, minha cabeça ainda estava conectada a ela em casa, eu não tinha assim tanto assunto pra conversar com as amigas (o papo sobre séries do netflix, celebridades do instagram e trabalho estava totalmente fora da minha maratona gugu-dadá) e o fato de amamentar me impediu de tomar um belo copo de caipirinha, mas estar ali na roda, sem ninguém exigindo minha total atenção, foi suficiente pra me fazer voltar pra casa mais animada a seguir minha rotina de mãe. 
 Deixá-la com o pai e confiar que ele daria conta do recado também foi muito importante pra relação deles. Sempre temos a sensação de que o pai não dá conta do recado, de que ninguém cuida melhor do bebezinho do que a gente. Muitas vezes eles não dão conta simplesmente porque nós não permitimos que eles tentem. E assim seguimos sobrecarregadas, com a plena sensação de que apenas a vida da mãe é que muda, a do pai segue como antes. Sim, por mais parceiro e ligado ao bebê que o pai seja, é a mãe que segura o rojão na hora do apuro, é ela que tem fusão emocional com o bebê e sente o que ele sente, então a sensação de que só a vida da mãe é que muda é inevitável.
Depois desse dia, marido ficou um mês de férias em casa conosco. E então veio o carnaval e o convite pra curtirmos uma noite sem a bebê. Conversando com minha mãe, ela aceitou cuidar pra podermos sair. Foram 6 horas fora, mas dessa vez à noite. Lis dorme mamando no peito, então a experiência não foi tão bem-sucedida. Quando ela começou a chorar, voltamos correndo. Ainda assim, curtimos bastante e pude novamente conversar com as amigas, rir e dançar. O carnaval acabou, marido voltou a trabalhar e os dias voltaram a ser longos por aqui.
Mesmo assim, não consigo pensar que nunca mais vou me divertir. Entendo que o que muda é a forma de diversão: hoje, fico feliz com passeios que façam minha bebê feliz. Sou convidada pra programas que antes não era (durante o carnaval, fomos em dois aniversários de criança e dois bailinhos, ou seja, agenda cheia da mesma forma), tenho companhia pra passeios não curtidos pelo papai, fiz amigas novas em função da maternidade que muito me acrescentam, conheci muitas vizinhas no prédio que também tem babies (moro aqui há 2 anos e até dois meses atrás não conhecia ninguém). Ter a Lis fez eu me abrir pro mundo, conversar com desconhecidas e acima de tudo, valorizar ainda mais meus momentos sozinha ou só com o marido. Hoje, como ela já fica sentadinha sozinha, dependendo do lugar que vou consigo deixá-la brincando enquanto janto, o que já me permite conversar com as pessoas por algum tempo. Sei que a fase engatinhar-caminhar ainda está por vir, então preciso aproveitar esse momento mais relax da minha bebê antes da correria recomeçar. 
Quando dizem que o tempo passa rápido a gente não consegue entender. O tempo de uma mãe é relativo demais. Enquanto as horas em que um bebê que ainda não interage fica acordado parecem ser intermináveis, os pequenos intervalos em que ele dorme não são suficientes pra fazermos tudo o que precisamos. Enquanto os dias em casa com recém-nascido não acabam nunca, olhar pra trás e ver que já se passaram quase 7 meses é assustador. Quando me diziam que logo eu voltaria a ter uma vida social normal, eu não acreditava. Mas passa, respira que passa. E tão pouco tempo depois do nascimento, eu consigo entender porque as mulheres romantizam tanto a maternidade: acredite, a gente esquece rapidinho todas as dificuldades e guarda só as alegrias. A natureza é mesmo muito sábia, se não fosse assim a espécie humana já teria se extinguido há tempos! Então, se você ainda está na fase de se sentir deslocada do mundo, desconfortável consigo mesma, insegura com o bebê ou no auge do puerpério, entoa o mantra "vai passar". Logo, no teu tempo, você também vai rir de tudo isso!