Porque nem todo mundo nasce com vocação pra alguma coisa. Agora eu tenho a Lis!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A hora da escolinha!

Quando eu tinha 16 anos dizia que filho meu iria pra escolinha com 6 meses pois "desenvolvia", imatura do tipo que dava pitaco em coisas que nem sabia nada sobre..daí engravidei e passei a concordar com a ideia de colocá-la somente com 3 anos. Depois que nasceu, tivemos a opção de mantê-la em casa até agora, com um esquema logístico que envolvia pai, avós, eu, dinda..mas não são só as teorias e opiniões pessoais que influenciam né? Ficou pesado manter o esquema, afinal de contas não sobra mais tempo pra ninguém. Além disso, começamos a sentir a necessidade que partia dela, Lis AMA brincar com outras crianças, seriam outros brinquedos, outro ambiente, senti que ela andava bastante entediada dentro de casa, por mais que a gente brinque na rua. Com 10 meses ela começou a frequentar algumas horas 2 manhãs por semana, mas agora, depois de muiiiiita conversa com amigas, mães e pedagogas resolvemos colocá-la todos os dias meio-período. E eu, que voltei a trabalhar amarradona por estar cansada da rotina de ficar em casa o dia todo com um bebê, me vi apavorada. Decidir a escolinha foi difícil, encuquei com milhares de coisas até notar que o problema era eu, que não queria que ela fosse. Nenhuma escolinha vai unir todos os desejos nossos, não adianta. Como imaginar deixar meu bebê nas mãos de outra pessoa que não tem vínculo nenhum? Como não poder ligar a cada hora pra saber se já comeu, se tá bem, se dormiu? Como acreditar que terão paciência com ela se às vezes eu mesma, que amo e sou a mãe, também a perco? E se maltratarem ela? Basta uma única vez pra criar um trauma não é? Brinco que prefiro uma mordida de outra criança do que um arranhão, dentinhos de bebê a gente reconhece. Enfim, dúvidas e dores maternas. Ontem ela começou então, como se fosse o primeiro dia, e desta vez quem levou fui eu, não o pai como acontecia antes. Em 4 meses, ela apenas chorou alguns minutos em 2 dias. Ontem? Se jogou no colo da professora e me deu tchau, mostrando pra mim que eles são muito mais maduros do que nós pais em muitos momentos! Valeu a pena confiar no que diziam nossos instintos, e na frase que uma amiga linda me disse: Tai, ela também precisa do tempo e espaço dela! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Semana Mundial da Amamentação 2016

Semana mundial da amamentação! O melhor que você pode fazer pra conseguir amamentar, durante a gravidez, é se informar. Leia muito, tudo o que puder, assista vídeos da pega certinha, busque grupos de apoio, entenda o que são os picos de crescimento, saiba que no começo não é fácil nem mágico como querem que a gente acredite. Quando nascer, respire fundo, acredite na capacidade do teu corpo de nutrir teu bebê, continue buscando informação, procure um pediatra a favor da amamentação. Você sabia que existem CONSULTORAS DE AMAMENTAÇÃO? Claro, se esse for o TEU desejo. Amamentar é muito mais do que uma entrega física, é uma entrega psicológica e sabemos que, em função de inúmeras questões, não são todas as mulheres que conseguem seguir nessa jornada. Acredite, não é somente o ato de amamentar que cria vínculo. Amamentar ou não não te define enquanto mãe. Pra mim, amamentar é uma questão de praticidade e economia financeira. Muitas vezes, o que você precisa fazer pra sair da dor e viver o prazer de dar mamá é muito pouco, é um posicionamento a ser reajustado, uma medida postural ou um abraço apertado de quem entende o que você está vivendo. Mas ás vezes precisa uma força de vontade descomunal! Por isso, antes de desistir, ou até mesmo depois de já ter introduzido a fórmula, se a TUA vontade de continuar alimentando teu bebê no seio for maior, procure ajuda de uma consultora de amamentação. O investimento é pequeno perto do benefício! As campanhas de amamentação não querem te pressionar, elas apenas tentam desmistificar tantos mitos criados pela indústria do leite em pó! Aquela mesma indústria que nos anos 40 dizia que leite condensado era um ótimo substituto para o leite materno, que não faria diferença alguma. Quando vejo fotos das torres de lata de leite pra comemorar o primeiro aninho, mostrando quanto as crianças haviam consumido naquele período, consigo entender porque as mulheres da geração da minha mãe tantas vezes me diziam que "chega uma hora que o leite não sustenta". E o melhor que você pode fazer por uma mãe que está amamentando: ofereça apoio! Lave a louça, alimente-a, ofereça um copo de água, pergunte se ela deseja tomar um banho quente e relaxado, ESCUTE-A, abrace-a e a deixe CHORAR! Não indique aquela mamadeira da meia-noite pro bebê dormir melhor, não diga que a chupeta foi a salvadora da tua vida, não fale que o bebê está chorando de fome, não conte que o que aconteceu com a filha da vizinha: você pode, sem querer, dar o start pra amamentação dela degringolar! Se quiser ajudar além disso, leve-a ao banco de leite mais próximo ou dê como presente a ajuda de um profissional! E se por acaso a tua história de amamentação não foi como esperado, não se culpe por isso. A maternidade já é um chacoalhão grande demais pra você ainda ter que ficar justificando coisas que nem sempre estão ao teu alcance!




segunda-feira, 25 de julho de 2016

1 ano de Lis!

1 dia. Há um mês eu choro todos os dias quando penso que amanhã completas 1 aninho. O primeiro ano da tua vida, o primeiro ano das nossas novas vidas. 1 ano da mais profunda transformação que nós poderíamos sofrer.
Há 1 ano atrás, a essa hora, eu sentia as primeiras contrações esquisitas. Lembro de virar pro Léo e perguntar se ele tinha pensado que seria como se estivéssemos recebendo uma prima do interior, que estaria vindo pra morar conosco pro resto das nossas vidas. Por mais que você seja "uma página em branco" da qual somos os responsáveis por escrever em linhas retas e com a letra bonita, a sua personalidade eu não posso mudar. Receber um filho é ao mesmo tempo mágico e apavorante. Quando diziam, assim que você nasceu, que eu deveria curtir muito porque passava rápido, eu não conseguia entender. Por vezes eu desejei que o tempo voasse de uma vez, pra que a adaptação acontecesse logo, pois era tudo muito difícil. Era a tal "prima do interior", folgada, que havia chegado e tomado conta do meu espaço e da minha vida sem me perguntar, em momento algum, se eu estava de acordo com as suas imposições. É doído, é difícil, é um mergulho no desconhecido. Mas ainda bem que o tempo passa, rápido, e nos mostra que pode ser também uma delícia essa transformação.
Há um mês eu procuro palavras pra definir o que sinto quando te olho, tão dependente e frágil mas ao mesmo tempo tão destemida e segura de si. O corpinho gordinho que começa a tomar forma de menina, o espírito livre que não gosta de estar grudada na gente, a tagarelice que já me mostra o quanto serás parceira em conversas intermináveis. Tenho certeza de que uma das tuas missões já completasse filha: a de me ensinar o significado de empatia, palavra que eu nem conhecia antes de engravidar. E que me fez novamente mudar o rumo da minha vida, após o teu nascimento. Me ensinasse a me colocar no lugar do outro, mais precisamente das outras, mães e mulheres, unidas e despidas de tudo aquilo que o mundo nos impõe, nuas na alma e nos sentimentos quando nos envolvemos. Tenho vontade de sair abraçando todas as mães que encontro pelo caminho, sejam elas tentantes, grávidas, recém-paridas. Tenho vontade de chorar junto e dizer, calma, o furacão logo passa, depois eu garanto que vira tudo alegria. Ao invés de dizer pra curtir que passa rápido, eu diria pra se entregar, mergulhar, viver o abismo e a paixão dos primeiros dias. O momento de voltarmos a ser aquilo que éramos antes do bebê não é agora, logo ele virá e tudo vai ficar bem. Agradeço também àquelas que me abraçaram no momento eu que eu mais precisei, tenha sido ao vivo ou virtualmente.
Celebrar o teu primeiro ano é comemorar também tudo o que passamos, sentimos, vivemos. Não nascemos pai e mãe, nos tornamos. Por vezes tropeçando, errando ao tentar acertar, vamos nos ajustando e crescendo juntos contigo. Me tornei mãe, teu pai se tornou o "baita pai". É a relação de vocês dois que ele constrói diariamente, não é por mim que ele te educa, protege ou cuida. É pra que você possa conversar com ele sempre que se sentir perdida ou insegura, pra que a relação de confiança entre vocês dois esteja sempre inabalada. Você não imagina o quanto foi difícil pra ele também essa transformação. O quanto foi preciso pra ele deixar pra trás conceitos e prioridades. Pensar nesse primeiro ano me deixa emocionada mas também muito feliz. Subitamente, acordar de hora em hora durante as noites deixou de ser algo que me incomoda, te ver gargalhando me ilumina e te ver fazendo festa na piscina de bolinha, brincando com outros bebês me faz querer chorar enlouquecidamente. Deixamos pra trás todas as dúvidas, as inseguranças, os medos. Sobrevivemos ao nascimento dos primeiros dentes, aos choros sem motivo, à primeira febre de 39 graus na madrugada, aos picos de crescimento que te deixavam o dia agarrada na teta, como um piercing de mamilo. Sobrevivemos aos primeiros tombos, ao primeiro dedo trancado na gaveta, ao primeiro tapa nas costas, virada de cabeça pra baixo, pra desengasgar o leite, depois o pinhão e as trocentas coisas que passas o dia colocando na boca. Sobrevivemos como casal, agora ainda mais fortes e unidos, embora tenhamos tido vontade de fugir ou estapear um ao outro por vários momentos. Sobrevivemos à casa bagunçada, às roupas sujas e ao cansaço que dá nos revezarmos pra poder ficar contigo em casa. Sobrevivemos à tua adaptação na escolinha, ainda que tu não vá todos os dias. Procurei todos os defeitos do mundo nas escolas, só pra não ter que enfrentar a realidade de que era eu quem não queria que tu fosse. E agora posso dizer que não só sobrevivemos, mas que na verdade vivemos intensamente esse teu primeiro ano, assim como desejo que sejam todos os próximos, transformadores e deliciosos. 
Que sejas cada dia mais arteira e feliz, que bagunces ainda mais a minha casa e a minha vida e me faças renascer e aprender todos os dias filha. Que o amor que eu sinto por ti exploda de tanto que dói no meu peito. E que aprendas logo a arrumar a bagunça dos teus brinquedos e dos meus armários, porque juntar tudo todos os dias dá um trabalhão!
Falta 1 dia pra poderes assoprar a velinha que tens treinado tanto, e embora nós quiséssemos, juntar todo mundo que te ama e te acompanhou nesse primeiro ano seria impossível. Por isso não vai ter festa, mas vai ter bolinho com os avós e muita piscina pra brincares, já que amas tanto brincar na água!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Sensação de libertação!

Essa semana, conversando com uma amiga, comentei sobre o quanto eu tinha necessidade de estar grudada na Lis assim que ela nasceu, o quanto me irritava ter que sair de perto dela pra ir na padaria que fosse, vivi um momento de clausura voluntária, totalmente alheia ao mundo. Ela me disse que eu fui muito intensa no meu emocional. Por coincidência, assisti 2 palestras dias depois sobre parto que falavam da importância de fazer a mulher se desligar de tudo para que o parto acontecesse, pra que a ocitocina fosse liberada, e que, uma vez que nosso cérebro desliga e a gestante se entrega, ela vira bicho mesmo, nossa natureza instintiva e primitiva vem à tona. Ali, como um tapa na cara, consegui simplesmente entender porquê meu pós-parto foi tão maluco na minha mente: eu estava totalmente entregue, meu lado leoa despontou com uma força que eu jamais imaginei existir. Eu só queria poder ficar ali namorando minha cria, sem nada que pudesse interferir, sem louça pra lavar, banho pra tomar, passeio pra fazer, pitacos pra ouvir. Eu era a fera-mãe e não queria que bicho nenhum chegasse perto do meu filhote, muito menos pra falar qualquer coisa que fosse dele! Uma explosão de ocitocina que só foi possível pelo respeito que recebi durante aquele parto tão avassalador. Não havia vozes, não havia luzes, não havia pressão, não havia nada que pudesse manter meu cérebro ligado (embora eu tenha a sensação de que ele não desligou). E entender o que aconteceu nesse período, ter levado esse choque foi libertador, eu ainda tinha a sensação de que precisava de outro puerpério pra curar o primeiro, que parecia ter sido tão difícil. Não, meu pós-parto não foi difícil, foi uma imersão em sentimentos de perda de controle, perda da razão, uma explosão de amor incompreendida por mim mesma! Que libertador! Realmente, como diz Odent: pra mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer. Pensa em todo mundo sendo recebido na Terra envolvido por essa bomba de amor?

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quando o amor vai surgir?

Então você pariu um bebê lindo, saudável, a família tá feliz, todo mundo acha que você está radiante e tudo que você tem vontade é de chorar e colocar o bebê de volta na barriga. Aí você vê esse tipo de foto e pensa: por que eu não me sinto feliz e radiante como ela demonstra estar na foto? Deixa eu te confessar: até a Lis fazer 6 ou 7 meses eu também achava essas fotos a maior mentira. Não é que eu não estivesse feliz, fazendo dancinha da vitória ou amando ela. Eu simplesmente ainda não estava adaptada ao ponto de me sentir plena na maternidade. Essa paixão avassaladora pela minha bebê levou muito tempo pra surgir. Eu sempre a amei, mas a explosão de amor faz pouco tempo que apareceu. Assim como quando eu casei, no primeiro ano eu via fotos de casais felizes e pensava em voltar correndo pra casa da minha mãe, o primeiro ano de vida de um bebê acredito que seja o mais difícil. Depois tudo vira paixão, tudo melhora, tudo fica mais fácil! Fotos nem sempre representam a realidade, não se culpe. Ontem foi o primeiro dia das mães com minha amada nos braços, dois anos depois do ataque de fofura do meu marido querendo um filho. Agora posso dizer: é um amor que não cabe no peito, que dói na alma. Mas que pode sim demorar a aparecer. E se no meio dessa loucura toda você me perguntar se eu quero mais filhos, eu te respondo que sim: quantos mais a vida quiser me dar, meu corpo aguentar, meu marido topar e meus slings puderem carregar!


terça-feira, 26 de abril de 2016

9 meses na barriga, 9 meses fora dela: acabamos a nossa gestação!

9 meses dentro da barriga, 9 meses fora. Hoje finalizamos a gestação da minha pequena Lis. 18 meses de um vínculo que só aumenta a cada dia. Fechamos um ciclo pra iniciar outro maior ainda.

Pra que a espécie humana pudesse ficar em pé, muitas alterações nos ossos e musculatura do corpo tiveram de ser realizados. Sair da posição de quatro apoios para apenas dois fez com que nosso quadril fosse estreitado. Nascer ficou difícil desde então. Pra poder passar pelo canal de parto, o bebê humano tem que sair antes de estar com o cérebro totalmente formado, senão a cabeça não passaria. Se formos comparar com outros mamíferos, o bebê humano é o que nasce mais imaturo e que precisa de mais tempo para adquirir independência. Essa independência seria conquistada com o ato de engatinhar, locomover-se, conseguindo fugir de algum predador. É por volta dos 9 meses, mais ou menos, que o engatinhar do bebê acontece. Alguns especialistas consideram que apenas os 3 primeiros meses de vida seriam necessários para a maturação do cérebro do bebê. A teoria que falo aqui, do antropólogo Ashley Montagu, entende que são 9 os meses necessários para que se atinja essa maturidade.


Não é à toa que bebês que ainda não andam sejam considerados de "colo". É o colo que garante a sua sobrevivência. A pele é o maior órgão do corpo humano. Ela reveste externa e internamente nosso corpo. O sistema nervoso e a pele se originam do mesmo local, o que nos leva a crer que a pele é a parte exposta do nosso sistema nervoso. O tato é o primeiro sentido a se desenvolver. Portanto, para que o sistema nervoso amadureça, é preciso que o bebê seja estimulado, tocado, acariciado, sinta o calor de outro humano. No início do século passado, em instituições e orfanatos americanos onde bebês ficavam sozinhos, sem contato físico, sendo apenas vestidos e alimentados, 90% deles morriam. Faltava o apego emocional. Entre os animais, aqueles que não são "lambidos" pelas mães não se desenvolvem. Ao adquirir a habilidade de segurar outros objetos e se rastejar, o bebê curioso se desprende da mãe. Portanto, não, colo não vicia. O colo, o contato físico, o vínculo bem estabelecido entre mãe e filho tornam a criança mais segura e independente emocionalmente. Uma criança que sabe que pode voltar correndo para os braços do cuidador tem maior segurança de se afastar. A tentativa de criação de independência precoce, como deixar o bebê chorando, sozinho ou afastado do convívio pode levar ao efeito inverso: um adulto dependente emocionalmente de outras pessoas.



Ainda, é a partir dessa fase, perto dos 9 meses, que o bebê começa a entender o "não". É perto dos 8 meses que ele entende ações voluntárias, como jogar um brinquedo no chão para que o adulto pegue, entendendo o movimento de ação e reação. Ele não faz isso por pirraça: faz parte do seu desenvolvimento. Antes disso, não se pode considerar que um bebê faça "manha" ou "birra", uma vez que ele não entende suas emoções nem tem capacidade cognitiva para tentar "provocar" seus pais. Aliás, essa noção de sentimentos só vai ser entendida por volta dos 2 ou 3 anos, quando o bebê começa a notar que é realmente um sujeito independente. Por isso, deixar um bebê sozinho pra que ele aprenda a ser independente ou não fique manhoso não faz sentido. Veja bem, há uma questão importante a ser tratada: a ausência também é importante para o desenvolvimento do bebê enquanto sujeito. A falta de atenção da mãe ou do cuidador principal faz com que ele perceba que é uma pessoa que tem vontades e desejos, mas essa ausência tem maneiras de acontecer que não causam problemas posteriores: breves saídas, brincadeiras de esconder, até mesmo o pensamento distante por parte daquele que deveria estar 100% presente causa no bebê o desejo dessa presença. Não é deixando um bebê chorar que vai fazê-lo se acostumar com essa ausência. Ele vai apenas aprender que não adianta chamar, seu desejo não será atendido, e se acostuma com a situação, parando de chorar. Ele se acostuma à solidão.

Ao nascer, tudo que um bebê precisa é do contato corporal com a mãe ou cuidador principal, carinho, atenção. Até mesmo por uma questão de posição: dentro do útero, ele estava todo enroladinho, em posição fetal. Quando você fica por muito tempo na mesma posição, tentar mudá-la dói. Imagina como deve ser passar da posição enroladinho para a posição deitado de barriga pra cima, com as costas totalmente esticadas em um local duro como o carrinho ou colchão! Nada confortável não é mesmo? O choro também faz parte de se ter um bebê em casa: essa é a única forma de se comunicar que ele possui, portanto, o choro serve para qualquer coisa que ele precise dizer: fome, sono, frio, necessidade de contato.

Por aqui, vivemos intensamente essa gestação prolongada. Nos permitimos nos cheirar, acariciar, nos tocar. Ainda hoje, quando sinto que a Lis está mais incomodada com alguma coisa, ou muito cansada, amamento-a pele-a-pele, permitindo o contato físico máximo que ela precisa pra se acalmar. É claro que acredito na personalidade de cada criança. Algumas têm mais necessidade de contato físico que outras. Mesmo assim, sinto que estar disponível tem tornado-a uma criança bastante segura, que se permite explorar os ambientes e ir no colo de outras pessoas sem medo. Nas últimas semanas, depois de aprender a engatinhar, parece que o mundo se abriu pra ela. Tenho a sensação de que não tenho mais um bebê, ela virou uma criança da noite pro dia! Mesmo que eu queira, é difícil ela aceitar um colo meu. O chão tem sido muito mais interessante, e, desde que ela esteja segura, tenho permitido que ela se suje o máximo possível, levante em tudo que alcance, entenda sua noção corporal. Essa fase é importantíssima para a próxima, do andar. Se você ainda está grávida ou tem um bebê recém-nascido, permita-se viver intensamente essa fase do colo. Curta a sensação de pele-a-pele, atenda seu bebê, leia sobre a extero-gestação. Se sentir-se confortável, tenha um sling, carregue seu bebê agarrado junto a você, não há sensação mais deliciosa do que a cabecinha dele deitada junto ao seu peito. Conecte-se à mãe-bicho que existe no seu interior, siga seus instintos, permita-se lamber sua cria!

Deixo aqui duas sugestões de livros interessantes sobre o tema: Besame Mucho (Carlos Gonzalez); Tocar, o significado humano da pele (Ashley Montagu). 



terça-feira, 12 de abril de 2016

Quem tem medo da dor do parto?

Antes de tudo preciso explicar que via de parto não define o tipo de mãe que você é. O parto é a parte mais fácil de toda a maternidade. Cada mulher sabe da sua história, seus medos e sua cultura e o que deseja nesse momento tão importante. Se você tem curiosidade ou deseja parir, como 70% das brasileiras desejam no começo da gestação (fonte: pesquisa Nascer Melhor), esse post é pra você.

Desde crianças somos levadas a acreditar que as dores do parto são insuportáveis, e que nada no mundo pode ser pior do que o momento do nascimento do bebê. Talvez esse conceito seja histórico: a própria bíblia nos faz acreditar que sentir essa dor seria um castigo, e como tal devemos sofrer, e muito. Toda dor dói. Quem sofre de enxaqueca sabe bem do que falo. Não há nada pior do que dor de dente ou pedras nos rins. E toda dor uma hora passa. Ninguém morre de dor. O corpo humano é sábio: ele conhece o limite que você pode aguentar de sofrimento.
Sempre que me perguntam sobre o nascimento da Lis, uma das primeiras perguntas que recebo é sobre a dor do parto. Mas Tai, é assim insuportável? Eu sempre fico na dúvida sobre o que responder. Eu não achei insuportável. Eu sinto saudade do meu parto, por mais que você possa achar isso um absurdo. Minha sogra pariu 3 filhos, e desde sempre me dizia: é melhor parir do que ter dor de dente. Hoje eu entendo o que ela diz. Dor de dente é lancinante e não para, é constante. Igual à enxaqueca que eu sinto. A dor do parto te dá tempo pra respirar, vem em ondas, tem intervalos (normalmente). A dor do parto é dor de vida, você sabe que logo vai acabar e o resultado final é o seu lindo bebezinho nos braços. A dor de dente não tem objetivo final nenhum. 
Tá bom amor, vamos pra maternidade. Já estava em TP ativo e achava que não!
E então você vai me dizer que, como eu fiquei pouco tempo em trabalho de parto, eu sofri menos tempo e por isso achei tranquilo. Durante a gestação, uma frase que li me marcou: não vista o chapéu de estar em trabalho de parto sem estar nele de verdade. Eu absorvi de tal forma essa frase que, mesmo estando em trabalho de parto ativo, ainda assim achava que não era a hora. Era como se eu não quisesse acreditar, já que eu imaginava que a pior parte ainda estava por vir. A questão da expectativa deve ser muito bem trabalhada durante a gestação. Eu me preparei pra ficar 3 dias sofrendo. Eu me conheço e sei que as coisas sempre demoram a acontecer pra mim. Eu me preparei para um parto sofrido, doloroso, demorado. Sem romance. Quem busca o parto normal e lê os relatos de parto, lê a parte linda e romântica da coisa. Normalmente não se escreve sobre a parte em que você vomita, faz cocô, xinga o marido, quer bater ou matar as pessoas, sente tudo "rasgando". Lembro que, no dia em que a Lis nasceu, eu comecei a me sentir estranha depois do meio-dia. Mas eu já vinha me sentindo estranha há 3 semanas, sempre alarmes falsos, os famosos pródromos. Então não dei bola, já estava de praticamente 41 semanas mas não dei bola. Jurava que ia até 42 semanas. Quando a dor apertou mesmo, já eram perto das 22 horas. Como minha mãe estava conosco e eu não podia mostrar pra ela que algo estava acontecendo (ela ficaria muito nervosa e me mandaria pra maternidade, coisa que eu sabia que não devia fazer), ignorei o que sentia por ainda mais uma hora. Quando realmente entendi o que estava acontecendo, ainda fui tomar um banho quente pra ver se sumiam as contrações. Fui pra maternidade jurando que ainda não era a hora, mas o marido estava muito nervoso e não conseguia mais ficar em casa. Fui avaliada as 2 e meia da manhã e já estava com 7 centímetros! Lembro de olhar pro marido e perguntar se era mentira hahaha. Duas horas depois Lis nasceu, às 4:29 da madrugada. Se parar pra pensar, eu senti dores por quase 12 ou 14 horas, mas pra mim, só as 2 horas na maternidade contaram! Se eu tivesse levado em consideração as primeiras contrações, que provavelmente vinham a cada 20 minutos, olha quanto tempo eu teria sofrido! Na minha cabeça, o tempo todo, aquelas ainda não eram as contrações insuportáveis, eu esperei elas virem até o último momento.


Quando fui chamada para avaliação: peraí, deixa eu curtir aqui uma contração! Essa posição era a mais confortável.
Na minha preparação, busquei relatos que fossem o mais realistas possível. Procurei também entender a fisiologia do corpo durante o parto. Saber o que estava acontecendo me tranquilizava, me fazia sentir que o fim estava próximo. Em Florianópolis e em muitas cidades, há rodas de gestantes maravilhosas e gratuitas. Eu fui em uma delas, por sorte com a minha obstetra, e lembro dela mostrando a passagem do neném pela bacia da mulher, e dizendo que essa era a hora mais dolorida, normalmente quando se pensava em desistir ou implorava por analgesia. E que, depois desse momento, quando se entrava no expulsivo (a vontade de fazer força involuntária), era muito difícil algo acontecer, a pior parte já tinha passado. Quando lembro da doula me dizendo que já via os cabelinhos, pensei: ufa, já vai acabar! Lembro também do médico dizendo que, embora eu tivesse a plena sensação de que estaria "rasgando", era só uma sensação, não estava rasgando de verdade. É o que chamam de círculo de fogo!
A frase abaixo também foi uma das partes mais importantes de todo o processo de parto:
Eu confesso, eu tinha um medo muito grande, que me assombrou a gravidez inteira, ainda que eu fingisse que ele não existia, ainda que eu guardasse ele apenas no meu inconsciente. Eu sempre tive a sensação de que teria um filho especial. Desde antes de engravidar. Mesmo que eu tivesse estudado muito, lido muito e sabendo que não é somente a via de parto que causa paralisia cerebral (acredito que esse seja o maior argumento usado pra quem quer amedrontar uma grávida que deseja parir), eu tinha muito medo de que, caso isso acontecesse, toda a culpa caísse sobre mim, por ter tentado e sido "radical" no meu desejo. Eu sabia que se chegasse no dia do parto com isso me incomodando, eu não conseguiria relaxar. Eu tentaria "segurar" a Lis dentro de mim, o que tornaria tudo mais lento e sofrido. Eu precisava exorcizar isso ainda durante a gestação. Quando estava com cerca de 37 semanas, numa noite tranquila, virei pro marido e vomitei toda minha angústia. Foram cerca de 2 horas de conversa, choro e alívio. Ele também pariu ali o mesmo medo que eu sentia, essa angústia ele também carregava. Choramos, nos abraçamos, e entendemos que, não importava o que acontecesse, estaríamos juntos e amaríamos exatamente da mesma forma a nossa bebê. E a culpa não seria de ninguém por isso. Eu sinto uma alívio muito grande até hoje quando lembro dessa conversa. Admitir meu medo e espantá-lo foi maravilhoso. A partir daquele momento, eu consegui pedir saúde para minha Lis, pois até então eu achava que não tinha esse direito.
Por último, mas não menos importante, sentir-se segura no ambiente escolhido conta muito pra amenizar a dor. Sabe-se que muitas mulheres têm mais medo de sofrer violência obstétrica do que medo da dor em si. O medo bloqueia, é natural do corpo, hormonal. Como dizia minha médica, se a coelha tá lá, "de boas", parindo, e surge uma raposa ou uma onça, o corpo dela vai liberar adrenalina pra que ela possa correr o mais rápido possível, fugindo do predador. A adrenalina bloqueia a ocitocina, o hormônio responsável pelas contrações e pelo parto. Porque a última coisa que ela precisa naquele momento é parir, ela tem mais é que proteger os filhotes dentro de si. Sendo assim, se você se sente coagida, num ambiente onde não te permitem falar, andar, comer ou qualquer coisa que te faça se sentir protegida, a dor com certeza será muito maior. É por isto que o movimento de humanização do nascimento luta: pra que os hospitais e maternidades públicos permitam à mulher sentir-se acolhida, livre em seus movimentos e amparada por quem deve dar suporte e mostrar que está tudo bem com ela e com o bebê. Eu tive a possibilidade de ter o médico e a doula que eu quis, e naquele momento nada ao meu redor incomodava. Eu estava totalmente alheia ao que acontecia fora da minha cabeça, me entreguei totalmente ao momento. Por isso se diz que o ideal é ir pra maternidade somente com 3 contrações em 10 minutos: a chance de você chegar perto de parir e sofrer menos intervenções é muito maior. Estar entregue ao parto foi tão bom que em momento nenhum me passou pela cabeça que eu poderia acabar em uma cirurgia. Eu fui lembrar que poderia ter acabado em cesárea umas 3 semanas depois. De qualquer forma, durante a gestação, eu também me preparei psicologicamente pois isso poderia acontecer e não gostaria de ficar decepcionada.
Então, se me perguntam se dói, eu respondo: defina DOR. Esse sentimento é muito individual, cada um tem seu limite. Toda dor é insuportável. Toda dor é no fundo suportável. Prepare-se pra ela, aprenda a respirar e relaxar (músculos contraídos tendem a doer mais). Durante as contrações, respire, vocalize (grite, cante, abra a boca - você abre o canal vaginal naturalmente ao fazer isso), tenha ao seu lado um acompanhante seguro da situação (que te apóie na decisão e não fique com medo), pense que é menos uma contração. Durante uma das consultas, minha obstetra virou para o marido e perguntou: você está tranquilo para o parto? Ele disse que relativamente sim. Ela então explicou que parto é paciência: não adianta botar a chaleira no fogo e ficar olhando pra ver se a água ferve mais rápido. A água vai ferver no tempo certo, a ansiedade não vai apressar o processo, assim como o bebê não vai nascer mais rápido por pressão, muito pelo contrário. Parto é dor de vida, é dor de amor, parir é instintivo, sexual, parir é se entregar. Parir é uma delícia!
EU CONSEGUI!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Sobre saltos, choro de mãe e dormir pouco.

Pra todas as mães cansadas: essa noite eu chorei. Chorei de cansaço, chorei de sono. Nas duas últimas semanas peguei uma gripe fortíssima, que respingou na Lis. Ao mesmo tempo, ela completou 8 meses, tem 4 dentes em cima nascendo, aprendeu a engatinhar, entrou na fase da angústia da separação e eu voltei a trabalhar. Há 2 semanas sinto dores de cabeça diárias, pela privação de sono. Há 2 semanas Lis simplesmente não dorme mais do que 2 horas seguidas durante a noite, sendo que algumas noites ela literalmente não larga a teta. Mesmo que esteja apagada dormindo. FERRADA no sono, eu tiro e ela chora. Quer dormir agarrada. Há duas semanas eu não entro em sono profundo.
Com a Lis engatinhando, não sobra tempo de fazer nada enquanto ela está acordada. O dia se resume em tirá-la da tomada e colocá-la no tatame, tirá-la do lixeiro e colocá-la no tatame, tirá-la da sacada e colocá-la no tatame, tirá-la dos armários e colocá-la no tatame. Tirá-la de casa, uma vez que já está entediada do bendito tatame. Essa noite ela dormiu às 21 horas. Eu poderia ter aproveitado e ido dormir também, mas a casa não se limpa sozinha. Eu nunca liguei pra bagunça, mas em algum momento é necessário arregaçar as mangas e resolver a sujeira, ainda mais com ela se esfregando no chão. Quando finalizei, comi, tomei banho e deliciosamente deitei. Eram 23:30. Ela acordou. E não dormiu mais. Quando ouvi o primeiro resmungo, eu quis chorar. Acho que quando eram perto de 2 horas da manhã, ela ainda não tinha ferrado no sono de novo. A euforia de ter aprendido a engatinhar faz minha nenê sentar, ficar de quatro, sorrir, tudo isso enquanto dorme. Faz parte do salto de desenvolvimento, repetir incessantemente tudo o que aprende. Olho e ela está exausta, de olhinhos fechados, chorando por não conseguir dormir, sonâmbula repetindo os movimentos que aprendeu durante o dia. Amamentar não resolveu, embalar não resolvia, deixá-la na cama era inútil. Então eu chorei. Chorei embalando-a, de olhos fechados, respirando fundo pra que ela não sentisse o que eu estava sentindo. Ela poderia ficar ainda mais ansiosa e piorar a situação. A fusão emocional que existe entre a mãe e o bebê nessas horas é irritante. 
Me peguei pensando no que eu poderia estar errando. Me peguei pensando em tudo que leio, em todas as minhas convicções, e pensei se em algum momento faria sentido tudo o que faço pensando nela e não pensando em mim. Se eu tivesse dado o raio da chupeta, talvez ela estivesse dormindo tranquilamente. Se eu tivesse feito treinamento de sono, talvez ela estivesse dormindo lindamente. Senti raiva de todos os comentários que já ouvi de que deveria fazer isso ou aquilo, justamente porque não fiz, talvez ela estivesse dormindo lindamente. Senti raiva de ter ficado feliz em voltar a trabalhar, por quê raios não resolvi ser mãe em tempo integral? Esse talvez seja o momento mais cansativo que já passei. Lis está começando a notar que eu e ela não somos somente um ser, o que a deixa ansiosa e querendo estar grudada comigo o tempo todo. Como em tudo na vida, a noite as coisas são piores, os sentimentos se exageram. É a chamada angústia da separação. Pode durar dias, mas pode durar meses, depende do bebê. E o pai? Ela não quer o pai, ela chora ainda mais se ele tenta acalmá-la.
Entender essas fases alivia um pouco. Enquanto eu chorava e a embalava, rezei. Pedi paciência, pois sabia o que estava acontecendo, sei que é só uma fase. Compreender as etapas do desenvolvimento deles alivia o cansaço, a culpa, a irritação. Rezei pedindo que passe logo, ou que pelo menos o pouco tempo que eu dormisse me revigorasse. Rezei pedindo novamente paciência. CALMA. P-A-C-I-Ê-N-C-I-A. A culpa não é dela. Lembro de uma noite dessas, quando ela tinha perto de dois meses, em que eu perdi a paciência. Embalei-a um pouco mais rápido do que o habitual, segurando-a com mais firmeza do que o normal. Toda mãe já viveu isso. Não cheguei a sacudi-la pois já tinha lido sobre a Síndrome do bebê Sacudido e sabia do perigo, mas carrego peso na consciência desde aquele dia. Ela não tinha culpa. Desde então respiro fundo nesses momentos. Enquanto eu chorava, de olhos fechados, senti uma mãozinha passar no meu rosto. Como se ela entendesse, tentava alcançar meus olhos, me acalmando. Chorar descarrega a tensão né? Dormimos. Ela ainda acordou mais uma vez depois. 
Então, às seis da manhã, meu celular despertou. Ela mamou novamente e apagou. Eu levantei e um sol lindo raiava lá fora. É como se Deus nos desse todos os dias a oportunidade de fazer melhor, ou pelo menos diferente. O cansaço já não era tanto, mesmo tendo dormido apenas uma ou duas horas. O corpo se acostuma a dormir pouco. A sensação de estar no caminho certo tomou conta de mim. Sei que no futuro vou entender que fiz o máximo que pude. Nada que eu tivesse feito de diferente faria-a dormir nessas semanas. Conversando com amigas que vivem a mesma etapa, descobrimos que estamos todas no mesmo barco, esgotadas, sem dormir. Saber que não chorei sozinha essa noite foi reconfortante. Se você também está na mesma canoa furada, tirando água com tampinha de dentro como nós, respire fundo, entenda os marcos de desenvolvimento, tenha calma. Não é que seu filho esteja mimado, birrento ou qualquer coisa parecida. É apenas uma etapa de maturação do seu pequenino corpinho. Vai passar, é só uma fase, vai passar. 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Sobre a volta ao trabalho

Minha última manhã em casa com ela. Enquanto Lis dorme mais um pouco do meu ladinho, vivo uma mistura de sentimentos sobre o término da licença-maternidade. Ao mesmo tempo em que sofro, estou feliz. Ansiosa. Diria até empolgada.
Foram 7 meses e meio de dedicação exclusiva a ela. Me perguntaram em alguns momentos se eu não sentia falta de trabalhar fora, e eu sempre respondi que não, não sentia. Poderia muito bem ser mãe em tempo integral. Logo eu, que trabalhava em dois lugares, fazia faculdade e me exercitava. Eu era uma maluca. De repente, minha vida "parou". Mas não ficou menos cansativa. 
Cuidar de um bebê e da casa é um trabalho exaustivo. Quando você trabalha fora, os projetos tem começo, meio e o aguardado fim. A casa não. A casa é um projeto irritantemente inacabável. Você passa o dia lavando louça, roupa, varrendo e limpando. Isso quando o bebê deixa. Todos os dias, acordo com a meta de terminar o dia com a casa organizada. Quando vou dormir, a casa está exatamente como estava quando acordei, mesmo eu tendo passado o dia a limpá-la. É a sensação de enxugar gelo, de ineficiência, de tempo perdido o que mais irrita. Com tanta coisa que eu fazia antes da Lis, pouco me importava o estado da minha casa. Agora, se um fio de cabelo cai no chão já me incomoda, afinal, é aqui que eu passo o dia inteiro! 
Quando você trabalha fora, você tem, ainda que breves, intervalos para descanso. Quando você é mãe não. Mãe não desliga. Mãe não dorme. Mãe não descansa. Mãe não come. Mãe não faz xixi ou toma banho sem ser correndo. Chega uma hora do dia que você não tem mais o que inventar pra entreter a criança. Talvez por isso eu tenha tanta vontade de fazer meu bebê dormir cedo (o que vem sendo uma frustração aqui em casa, meu calo no pé): ter um momento meu, pra conversar com o marido, assistir uma serie, ler um livro, não fazer nada, espiar as redes sociais, qualquer coisa que seja um momento de folga dessa vida de mãe.
Voltar ao trabalho me dá a sensação de que vou ser uma mãe melhor. Uma mãe que tem o elástico que estica um pouco mais antes de arrebentar. Mais cansada, com certeza, mas mais disposta. Sair de casa, soltar o cabelo, trocar de roupa (não pijama por pijama), conversar com adultos, ler as notícias, ter projetos que acabem, ser elogiada pelos trabalhos executados. E voltar pra casa com a mente fresquinha pro meu bebê. Receber dela as gargalhadas que meu marido recebe quando chega. Porque eu tô ali o tempo inteiro e ainda sou a chata que bota os horários né? Mãe não tem graça. Hoje, eu mal assisto a um jornal, pois é bem na hora de fazer a Lis dormir. Eu mal converso com outras pessoas: eu simplesmente não tenho assunto que não seja bebês, fraldas e papinhas. Eu tenho grupos maravilhosos de mães no whattsapp, mas eu sinto necessidade de FALAR, soltar a voz, conversar ao vivo, como toda mulher.
Preciso fazer um recorte aqui: trabalho meio período e Lis não vai pra creche, o que me deixa mais tranquila. Saber que ainda teremos nossas tardes juntinhas é o que me motiva e me empolga nesse retorno. Admiro, admiro demais a mulher que sai do mercado pra se dedicar aos filhos. Tem que ter paciência e receber carinho redobrados. É claro que, se eu pudesse, ficaria em casa com ela. Continuaria a ser a primeira pessoa que vê suas descobertas, que a socorreria no momento em que precisasse. Como não posso, me contento com a ideia de que ela é do mundo e não minha, que as pessoas que cuidarão dela tem tanto ou mais amor do que eu, que a sua relação com o pai e as avós vai ficar ainda melhor e mais forte. E que ela possa se espelhar em mim pra alcançar tudo o que deseja.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

E a vida social, vai voltar ao normal?

4 meses e 23 dias. Esse é o tempo que uma pesquisa realizada por uma marca de produtos infantis relatou ser necessário para a adaptação entre a mãe e seu bebê. Arrisco dizer que levei pouco mais de 6 meses pra sentir que minha vida havia se adaptado totalmente a esse novo ser que passou a habitá-la. Essa semana, enquanto passeava com a Lis no parquinho do prédio e conversava com outras mães, notei que já havia esquecido toda a tensão e insegurança que, como toda mãe inexperiente, vivenciei desde que Lis chegou.
Muito ouvi falar que deveria viver o máximo da vida antes de ter filhos, pois depois que eles nascessem nunca mais seria igual, toda a diversão acabaria. Logo que começamos a sair de casa, depois que Lis nasceu, tive a sensação de que nunca mais eu conseguiria participar de uma roda de conversa novamente. Lis mamava o tempo inteiro, chorou algumas vezes em ambientes estranhos, me fez ficar trancada em quartos escuros ou afastada da muvuca em alguns momentos pra que se acalmasse ou simplesmente pudesse ficar mais confortável em uma cama ou tapete do que passando de colo em colo. Muitas vezes saí de casa pra relaxar e voltei ainda mais cansada e chateada, tinha a sensação de que não haveriam mais momentos de lazer na minha vida. Quando ela completou 4 meses, levamos à praia e a função proteção solar + guarda-sol + roupinha + cadeira + proteger da areia + bolsa quase me fez desistir. Ainda assim fomos, e vê-la tão pequeninha rindo da água gelada do mar me animou. Ali comecei a notar que as coisas iriam aos poucos se ajeitando.
Quando completou 5 meses saí sozinha pela primeira vez. Sozinha por mais de 3 horas. Por 8 horas. Era amigo secreto das amigas, não iriam as crianças. Marido ficou em casa, deixei meu leite, dei um mamá reforçado antes de sair e fui. A festinha seria praticamente do lado da minha casa, era só voltar correndo se precisasse. Não desgrudei do celular, embora ele não tenha tocado o dia inteiro. Quando cheguei em casa, Lis riu pra mim como se eu estivesse ali o tempo todo. Quase senti ciúmes haha, como assim ela não havia sentido minha falta? Na comemoração, minha cabeça ainda estava conectada a ela em casa, eu não tinha assim tanto assunto pra conversar com as amigas (o papo sobre séries do netflix, celebridades do instagram e trabalho estava totalmente fora da minha maratona gugu-dadá) e o fato de amamentar me impediu de tomar um belo copo de caipirinha, mas estar ali na roda, sem ninguém exigindo minha total atenção, foi suficiente pra me fazer voltar pra casa mais animada a seguir minha rotina de mãe. 
 Deixá-la com o pai e confiar que ele daria conta do recado também foi muito importante pra relação deles. Sempre temos a sensação de que o pai não dá conta do recado, de que ninguém cuida melhor do bebezinho do que a gente. Muitas vezes eles não dão conta simplesmente porque nós não permitimos que eles tentem. E assim seguimos sobrecarregadas, com a plena sensação de que apenas a vida da mãe é que muda, a do pai segue como antes. Sim, por mais parceiro e ligado ao bebê que o pai seja, é a mãe que segura o rojão na hora do apuro, é ela que tem fusão emocional com o bebê e sente o que ele sente, então a sensação de que só a vida da mãe é que muda é inevitável.
Depois desse dia, marido ficou um mês de férias em casa conosco. E então veio o carnaval e o convite pra curtirmos uma noite sem a bebê. Conversando com minha mãe, ela aceitou cuidar pra podermos sair. Foram 6 horas fora, mas dessa vez à noite. Lis dorme mamando no peito, então a experiência não foi tão bem-sucedida. Quando ela começou a chorar, voltamos correndo. Ainda assim, curtimos bastante e pude novamente conversar com as amigas, rir e dançar. O carnaval acabou, marido voltou a trabalhar e os dias voltaram a ser longos por aqui.
Mesmo assim, não consigo pensar que nunca mais vou me divertir. Entendo que o que muda é a forma de diversão: hoje, fico feliz com passeios que façam minha bebê feliz. Sou convidada pra programas que antes não era (durante o carnaval, fomos em dois aniversários de criança e dois bailinhos, ou seja, agenda cheia da mesma forma), tenho companhia pra passeios não curtidos pelo papai, fiz amigas novas em função da maternidade que muito me acrescentam, conheci muitas vizinhas no prédio que também tem babies (moro aqui há 2 anos e até dois meses atrás não conhecia ninguém). Ter a Lis fez eu me abrir pro mundo, conversar com desconhecidas e acima de tudo, valorizar ainda mais meus momentos sozinha ou só com o marido. Hoje, como ela já fica sentadinha sozinha, dependendo do lugar que vou consigo deixá-la brincando enquanto janto, o que já me permite conversar com as pessoas por algum tempo. Sei que a fase engatinhar-caminhar ainda está por vir, então preciso aproveitar esse momento mais relax da minha bebê antes da correria recomeçar. 
Quando dizem que o tempo passa rápido a gente não consegue entender. O tempo de uma mãe é relativo demais. Enquanto as horas em que um bebê que ainda não interage fica acordado parecem ser intermináveis, os pequenos intervalos em que ele dorme não são suficientes pra fazermos tudo o que precisamos. Enquanto os dias em casa com recém-nascido não acabam nunca, olhar pra trás e ver que já se passaram quase 7 meses é assustador. Quando me diziam que logo eu voltaria a ter uma vida social normal, eu não acreditava. Mas passa, respira que passa. E tão pouco tempo depois do nascimento, eu consigo entender porque as mulheres romantizam tanto a maternidade: acredite, a gente esquece rapidinho todas as dificuldades e guarda só as alegrias. A natureza é mesmo muito sábia, se não fosse assim a espécie humana já teria se extinguido há tempos! Então, se você ainda está na fase de se sentir deslocada do mundo, desconfortável consigo mesma, insegura com o bebê ou no auge do puerpério, entoa o mantra "vai passar". Logo, no teu tempo, você também vai rir de tudo isso!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

6 meses e a introdução alimentar

Seis meses de Lis! 8 kg de gostosura, 2 dentes, senta, aprendeu a tossir de mentira, fala bababa (ensaia um papa), é maluca pelo clipe Bang da Anitta, apaixonada pelo pai, fissurada por ar-condicionado. Foram 6 meses de aleitamento materno exclusivo em livre demanda, e confesso que começar a introdução alimentar doeu um pouco em mim. Peito é prático, tá pronto a qualquer hora, acalma, é aconchego, é um momento que nos liga profundamente. Ela já estava liberada pra começar as frutinhas há cerca de uma semana, já havia dado os sinais de que estava pronta, mas confesso que eu não estava, não conseguia me despedir dessa fase, precisei de um tempo pra assimilar que esse momento chegou e ela vai começar os primeiros passos de independência. Não quer dizer que amamentar seja fácil, pelo contrário, amamentar exige paciência, disponibilidade, abdicação, confiança na capacidade do próprio corpo, ouvidos fechados aos palpites alheios. Tive dias em que chorei de cansaço com ela grudada no peito e noites em que ela acordou de uma em uma hora pra mamar. Tive vontade de dar mamadeira só pra ver se ela me deixava dormir uma noite inteira, mas conversando com amigas que precisaram complementar, descobri que seus bebês também acordam pra mamar de madrugada. Antes que alguém se sinta ofendida, não tenho nada contra o leite artificial, ele é importantíssimo por muitos fatores, inclusive psicológicos, mas se a maior parte das mães deseja amamentar e a média no Brasil é de 54 dias, acho que falta apoio e informação não-patrocinada. Claro, tive a oportunidade da licença-maternidade de 6 meses, que fez toda a diferença, marido e amigos que entenderam a ausência. Não dei chupeta por medo da confusão de bicos e desmame precoce, o que tornou tudo ainda mais cansativo, mas vê-la gordinha e sorridente assim recompensou. Introduzir alimentos novos não será simples, provou mamão ontem e rolou muito mais careta e brincadeira do que engolir qualquer coisa, mas como todas as fases de um bebê, tenho certeza de que essa também será deliciosa! Ainda assim, vai rolar muito mamá por aqui até quando ela quiser se soltar completamente de mim❤