Porque nem todo mundo nasce com vocação pra alguma coisa. Agora eu tenho a Lis!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Sobre o ano que acaba!

Não ia fazer texto de final de ano, não gosto dessa festa. Ou não gostava, até chegar 2015. O ano em que minha vida mudou. O ano que comecei grávida e só agradeci, não fiz planos. Que virei administradora. Que passeei grávida, fiz foto, exibi minha barriga gigante, me exercitei, aprendi a respirar e desacelerar. O ano em que estudei, acreditei e confiei em mim, no meu corpo, na minha mente. O ano em que eu PARI, mesmo tendo achado a vida inteira que não conseguiria. Pra você pode não significar nada, pra mim, foi o momento de maior êxtase da vida. O ano em que confiei na capacidade do meu corpo de alimentar minha filha, mesmo com tantas opiniões contrárias. O ano em que aprendi a colocar em palavras os meus sentimentos. Em que ganhei uma melhor amiga, minha pequena Lis, e até que eu mesma decida em contrário, é pela felicidade DELA que eu vivo. Pelo bem-estar dela. Goste você ou não. Me chame de chata se quiser, eu não ligo. Nossa conexão é tão forte que você não entenderia, ou não entende mesmo. O ano em que me esqueci de mim em muitos momentos pra me lembrar dela, e isso não me fez falta nenhuma. 2015 me fez conhecer mulheres maravilhosas, fortes, decididas, desprovidas de orgulho e cheias de amor e colo pra dar. Mulheres que eu já conhecia, mulheres que eu conheci depois que Lis nasceu. Amizades que fiz e quero levar pra vida toda. Me contaram suas histórias, me pediram abraços pelos seus lutos, me abraçaram e acalmaram quando eu quis abrir um buraco e fugir, secaram minhas lágrimas de mãe que tem a vida subitamente transformada. Descobri que eu também posso ajudar muitas outras mães, que também posso lutar por uma sociedade que nos compreenda, sem vir com a historinha de que "foi por isso que lutamos, agora aguentem". 2015 foi um ano maravilhoso, e por isso não poderia finalizar sem agradecer. Por cada erro que cometi e aprendi, por cada passo que dei e compreendi pra onde me levava, por tanta desconstrução que minha mente sofreu, assuntos que chegavam a doer pra entender, uma vez que foi uma vida inteira de preconceitos e cultura pra serem chacoalhados e desmistificados na minha cabeça. 2016, que você traga paz pras nossas vidas e ainda mais aprendizado, e que eu consiga ser uma mãe à altura do presente maravilhoso que Deus me deu (e que veio pra me ensinar tanto). Se você está disposto a me acompanhar, abra também a sua mente. Afinal, essa porta só abre de dentro pra fora. Veeeem 2016!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Detalhes do pós-parto

Faltam 9 dias pra Lis completar 5 meses e, enquanto ela dorme, preciso contar sobre algumas coisas que não fazia muita ideia que aconteceriam no pós-parto.
Quando engravidei, uma das primeiras coisas que senti mudar foi a memória. Eu, que tinha uma memória de elefante, esquecia o que estava fazendo ENQUANTO estava fazendo. Me sentia, além de desmemoriada, burra. As contas mais simples precisavam de calculadora, meu cérebro simplesmente parou de funcionar. Depois que a Lis nasceu, não mudou nada. Continuo tansa. Como o centro de gravidade da grávida muda devido à barriga, também fiquei descoordenada, vivia batendo meus braços e pernas nas paredes. Quando a Lis nasceu, era como se ela fosse um membro meu fora do corpo, e continuei sem noção de espaço. Ela escapou por um triz de algumas batidas na cabeça quando eu passava nas portas.
Meu parto foi normal, sem corte, apenas um pontinho de laceração. Isso não significa que as partes baixas não fiquem doloridas. Imagina a força muscular que é preciso pra fazer um bebê nascer. Ainda que a força seja involuntária, ela é gigante. Foram cerca de duas semanas com a sensação de "perereca inchada". Não estava, mas a sensação era como se estivesse. Já ouvi de amigas que fizeram cesária que acontece a mesma coisa, já que toda a região é afetada na cirurgia.
O sangramento pós-parto é bastante intenso. Bastante mesmo, podendo durar até 40 dias. Aqui foram 25. Tem dias que não vem, e quando você fica feliz que acabou, ele volta. Nos primeiros dias, vem em coágulos, me assustei em alguns momentos. A lista da malinha da maternidade da minha doula dizia pra levar uma fralda absorvente (pra adultos mesmo). Assim que pari e tomei banho, a enfermeira veio com aquela fralda pra eu vestir. Me senti ridícula e ri dizendo que não precisava. Depois que vesti, descobri que deveríamos usá-la até durante a menstruação (se não fosse tão feio, claro). É uma liberdade de movimentos enorme, não tem aquele medo de escapar quando a gente se levanta. Levei quase uma semana pra me auto-desfraldar.
A amamentação é um caso à parte. Não é simples, não é fácil, depois que o bebê aprende a pegar e o teu leite vem, cada vez que ele desce você vai na lua e volta. Essa ardência do leite descendo durou um mês por aqui. Agora é uma delícia. Mas leite materno fede em contato com algodão, e ninguém nunca me falou. Andava igual doida procurando de onde vinha aquele cheiro esquisito, parecendo de vômito às vezes, até que descobri que era das minhas próprias roupas (ou das roupas da Lis)! Quando chega perto do horário da nenê mamar, o peito vaza sozinho. Depois do terceiro mês a produção dá uma regulada e você então vai conseguir sair de casa sem aquela chatice de absorvente de seio. Além disso, acredito que seja hormonal, o "cecê", aquele cheirinho na axila, dá uma piorada. Não havia desodorante que desse conta, me sentia fedida mesmo passando o desodorante ainda dentro do box. Conversando com outras mães, descobri que era assim pra todas.
O puerpério vai te enlouquecer. Quando penso nos 3 primeiros meses, me sinto como se estivesse em uma festa muito louca e barulhenta, onde eu não conseguia prestar atenção em nada e tudo me irritava. A sensação de silêncio e calmaria que vem depois é maravilhosa. Aliás, até o terceiro mês eu rezava pra passar logo. Agora eu rezo pro tempo ir mais devagar, porque o relógio disparou! 
Eu nunca fui muito ligada em casa organizada. Passava tanto tempo na rua que aquela limpeza de sábado já me deixava contente, durante a semana ia fazendo as coisas quando dava, sem estresse. Depois que a Lis nasceu, virei a louca da vassoura! Tenho varrido a casa umas 2 vezes por dia, nada me incomoda tanto quanto a casa bagunçada. Todo mundo diz pra gente curtir o bebezinho e esquecer dos afazeres domésticos. Esse era um ponto que me incomodava muito: eu tinha a sensação de que não podia piscar que a Lis faria algo muito legal e eu perderia. Então, ficava horas olhando pra ela mas com a sensação de que deveria estar limpando a casa, e naquele turbilhão que já estava minha cabeça, isso me atormentava muito. Mas Tai, por que tu não limpava a casa então enquanto ela dormia? Porque daí eu também dormia, um bebê que mama a cada duas ou três horas deixa a gente cansada mesmo sem fazer nada!
O cabelo cai. MUITO. Quando diziam isso, eu dizia que não tinha problema, pois realmente tenho muito cabelo e seria até bom. Quando ele começou a cair, depois do terceiro mês, em TUFOS, eu realmente me apavorei. Já tenho uma mini franjinha nova, ou seja, com o tempo ele cresce de novo.
Desconfio que aquela história de que amamentar emagrece tem um quê de fantasiosa, não é assim tão rápido quanto contam. Engordei 15 quilos na gestação. Na primeira semana pós-parto foram-se embora 9 quilos. E o resto ficou, junto à fome de hipopótamo que eu sinto. Minha sogra dizia que era só lá pelo quarto mês que a gente emagrecia. Eu queria duas semanas depois! Depois do terceiro mês, quando o cabelo começou a cair, comecei a emagrecer de verdade. Agora já perdi 2 quilos além do que engordei na gravidez, tô legal! Lembro de ver uma foto da Bella Falconi 5 dias depois que ela teve a sua bebezinha, super sexy de calcinha. Nesse dia, Lis já tinha quase um mês e eu ainda andava de pijama e descabelada, mal lembrava de escovar os dentes. Fiquei arrasada, eu não tinha vontade nenhuma de sair de casa, ficava indignada quando diziam pra eu ir no mercado que fosse, queria ficar só agarradinha na minha bebê, porquê ela conseguia ser sexy tão rápido? Depois entendi, afinal, esse é o trabalho dela e tenho certeza de que ela também deve ter tido vontade de viver o puerpério como eu, afastada de qualquer obrigação social.
Você vai querer matar o marido em alguns momentos. Não precisa ter motivo, deve ser hormonal. Ele pode ser o marido mais maravilhoso do mundo, te ajudar em todos os momentos. Se, em algum dia, você estiver morta de sono amamentando de madrugada e ele roncar do teu lado, você vai chorar de raiva. Não se preocupe, é sono, vai passar e você vai voltar a amá-lo ainda mais do que antes. A primeira relação sexual depois do parto também é tensa: parece a primeira vez da tua vida. E isso não depende do tipo de parto, pra quase todas é assim. Mas a amamentação, salvo raras exceções, vai te deixar com a libido negativa. Dormir vai parecer bem mais divertido em alguns momentos. Maridos, acalmem-se: logo isso se ajusta.
Bebês choram, ponto. Seja qual for o motivo, ou mesmo se não houver motivo. Essa é a única forma de se expressar que eles possuem. Acompanho uma pediatra que sempre cita Lacan: "cólica é a expressão existencial do desamparo de ter nascido". Isso explica a razão de muito choro que não parece fazer nenhum sentido tantas vezes.
As primeiras saídas de casa são tensas. Quando fomos fazer o ensaio newborn da Lis, com 7 dias de vida, levamos uma bolsa enorme com tuuudo que ela podia precisar. Esquecemos as fraldas. Tão óbvio, tão sem noção nenhuma que estávamos.
Você vai se apaixonar a cada segundo. Você vai ter a sensação de que não pode amar mais, e ainda assim, amar mais a cada dia que passa. Ao mesmo tempo que a vida vira do avesso, você sente que o avesso é muito mais lindo e legal. Isso depois que o puerpério passa, claro. Porque a vontade mais recorrente, logo nos primeiros dias, é de devolver o bebê pra barriga. Lis aprendeu a ficar em pé essa semana. Só quer ficar com as pernas esticadas. Ontem, no meio de um salto de desenvolvimento daqueles brabos, no qual ela só chorava enquanto tentava virar de bruços, coloquei-a em pé no meu colo e expliquei o que estava acontecendo: disse que a mamãe sabia que aprender algo novo era dolorido e que ela podia chorar o quanto fosse, que eu estaria sempre aqui pra confortá-la. Ela me olhou nos olhos enquanto eu falava, como se estivesse prestando muita atenção e entendendo. E eu chorei por não saber o que fazer, por não poder ajudá-la. E assim vamos, nós duas, nos descobrindo, nos entendendo, aprendendo juntas a ser mãe e filha, companheiras pra toda a vida.

Talvez sejam detalhes interessantes pras grávidas saberem. Talvez você se identifique ou tenha outros detalhes pra contar. Talvez você entenda a mãe que está ao seu lado. Se você tem coisas diferentes que viveu, seja bem-vinda pra compartilhar!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Das coisas que eu não queria esquecer..

4 meses e 12 dias desde que eu recebi nos meus braços o ser mais importante que já passou na minha vida. É pouquíssimo tempo diante de toda a vida que ela ainda tem, mas minha memória insiste em começar a apagar algumas coisas que eu não queria que fossem embora. Eu não quero esquecer nunca da sexta-feira de carnaval que a senti se mexer pela primeira vez na minha barriga. Do dia divertido e maravilhoso que foi o de seu nascimento, mesmo a natureza tendo apagado da memória a dor no exato momento em que ela nasceu. Sinto saudades do parto e de toda a diversão que eu vivi ali, da sensação de êxtase que fiquei por uns 3 dias. Não quero esquecer da hora em que a vi pela primeira vez, com aquele nariz amassado e largo que eu não entendi daonde tinha vindo. Lis era a cara do meu pai, tinha a orelha perfeitamente grudadinha na cabeça e segurou meu dedo muito forte por muito tempo. Não quero esquecer que na primeira noite na maternidade, depois de quase 40 horas sem dormir, eu agradeci por Deus não ter me escutado e ter mandado somente uma filha, não gêmeas como eu queria hahaha. Não quero esquecer da ansiedade do Léo em sermos liberados pra vir pra casa logo, pra poder curti-la de uma vez, e do meu medo em sairmos de carro da maternidade, parecia que aquele bebê conforto não estava encaixado como deveria e o carro andava rápido demais. Insegurança, óbvio. Não posso esquecer de todo o carinho que recebemos, de tantas visitas lindas e tanto amor que emanaram pra gente, desde durante a gravidez até agora. Também não dá de esquecer o susto que todo mundo levou quando contamos que ela tinha nascido, já que ninguém sabia a data certa e não contamos pra ninguém que estávamos indo pra maternidade.
Lis dormia muiiiiito assim que nasceu (não mudou muito até agora hehe). No primeiro mês, quase ninguém a conhecia de olhos abertos. Mas ficava acordada justamente quando deveria dormir, das 18h à 1 da manhã. Eu não conhecia seus sinais, perdia o "tempo" de botá-la pra dormir e daí era um trabalho pra apagar. Torcia pra ela não fazer cocô de madrugada, pois cada vez que precisava trocar sua fralda, ela acordava e não queria mais dormir. Não quero esquecer das tardes deliciosas de soninho que temos até hoje (mas agora o soninho dura meia horinha, não 3 horas como antes). Eu amava que, depois de mamar, ela se aconchegava no nosso peito pra dormir, que colinho delicioso era aquele. Agora, nem pensar essa posição, ela não gosta mais. Não, colo não vicia, logo eles não querem mais saber da gente e fica a saudade daquele aconchego. 
Não quero esquecer da sensação maravilhosa que tive na primeira vez que amamentei e o seio parou de arder ao descer o leite, cerca de uma mês depois da Lis nascer. O começo da amamentação não foi o fim do mundo, mas quando se tornou natural foi mil vezes mais legal. E a forma como ela mamava, tão linda, com as duas mãozinhas sobre o próprio peito. Agora a mão maluca passeia pelo ar, pelo meu rosto, pelo que estiver ao seu alcance. Isso quando as mamadas duram bastante tempo, porque não têm passado de alguns minutinhos. Também não quero esquecer da primeira noite em que Lis dormiu 7 horas seguidas e eu acordei até meio atordoada de tanto que dormi, assustada, claro. Lis dorme na cama com a gente e tem acordado uma vez pra mamar durante a noite, quando não está nos picos de crescimento que a fazem acordar de hora em hora pra mamar. Sim, amamento deitada, pela minha sanidade física e mental. É uma delícia dormir agarradinha e nem quero pensar que um dia posso me arrepender dessa decisão, por enquanto vamos deixando ela ali. Não esperei a vida inteira pra casar e dormir junto com o amor da minha vida? Porque agora que o meu amor mais intenso chegou eu vou querer dormir distante?
Não quero esquecer dos marcos de aprendizado que ela já teve até aqui: quando quis tocar um objeto pela primeira vez, quando segurou pela primeira vez, quando começou a enxergar e descobriu o quanto a televisão é fascinante. Não adianta eu não querer que ela assista, a cabeça chega a ficar torta tamanha a vontade de ver aquelas luzes e cores. Agora ela está tentando rolar, vira o corpinho todo de lado, fica toda torta e volta. Me esforço diariamente pra não superestimular e nem compará-la com outros bebês, o que é dificílimo pra uma mãe! Sei que cada criança tem um ritmo e quero que ela viva sua infância no tempo dela, sem pressão. Enquanto eu mostrava que ela podia segurar as coisas, segurei suas mãos e sozinha ela se projetou pra frente, sentando, sem eu forçá-la. Ali entendi que a natureza tem o momento certo das coisas acontecerem.
Carrego uma tristezinha comigo: como eu nunca saio do lado da bebê, eu não a vejo crescer. Sei que ela está muito grande, é notável, mas eu já não consigo lembrar dela recém-nascida. Parece que ela já nasceu desse tamanho. Lembro que ela mamava e seu pezinho ficava na minha coxa. Agora, o pezinho se apoia no sofá ou na cama, meu bebê cresceu! Eu vejo recém-nascidos e parece que a minha bebê sempre foi assim grandalhona, queria ter gravado melhor sua imagem de bebezinho. O puerpério vai embora, apaga as lembranças do furacão mas leva algumas lembranças boas também.
Não quero esquecer do seu sorriso banguela, da primeira gargalhada que ela deu, tão espontânea e que me faz ter vontade de chorar toda vez que lembro! Tampouco dos nossos banhos de chuveiro que ela adora, faz caras engraçadas, e da bagunça que faz agora que descobriu que pode bater os pés na água da banheira e molhar tudo! Aliás, os pés são o novo instrumento de brincadeiras: ela tem tentado tocar e segurar tudo o que alcança com eles, além de apoiá-los em mim quando mama pra dormir.
Não quero esquecer do quanto ela ama andar carregada no sling, dos nossos passeios diários até o supermercado só pra sair de casa (confesso: compro cada dia uma coisa, só pra ter motivo de sair haha) e ela com olhos atentos a tudo que a rodeia. Da sua mania de morder o dedo (ela não chupa dedo, morde o dedinho com a gengiva do lado direito, sempre). De adorar se olhar no espelho. Da alegria que sente quando o pai chega em casa e faz bagunça, dançando com ela, é gargalhada certa (uma gargalhada bem desengonçada por sinal). Quando vou fazê-la dormir, fica virando a cabeça o tempo todo pra ver se o pai também está ali. Também não posso esquecer das atuações dramáticas que já vi ela fazer, na minha frente, da vó ou de outras pessoas, seguidas de riso quando me via, como se soubesse que estava chamando atenção. Em certos momentos tenho a sensação de que ela já entende tudo, mas daí eu vou dar bronca e ela ri da minha cara, mostrando que na verdade a vida pra ela ainda é só folia (e a mãe se vira nos trinta pra não rir, tem que começar a ensinar desde já né!). Não posso esquecer das tentativas de conversas com gritos que ela faz, fazendo força pra se expressar. Nem dos olhos azuis que nem tenho esperança que permaneçam, mas acharia muito legal se continuassem nessa cor.
Tenho certeza que muitas outras coisas que eu queria lembrar pra sempre já esqueci. Quando dizem que o amor só cresce a cada dia não conseguimos entender. É uma sensação muito doida, você acordar e amar a cada dia mais um ser que virou tua vida do avesso. Queria poder congelar o tempo, mas impedi-la de crescer também me impediria de viver novas sensações, que eu tenho certeza que virão pra me fazer crescer e fazer ainda mais força pra mantê-las em minha mente.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sobre a fase das tentativas

Lis fez 4 meses quinta-feira passada. Há quatro meses minha vida tem mais cor, mais alegria e mais amor. Há pouco mais de um ano aquelas duas listrinhas tão desejadas apareceram no teste de farmácia. Foram seis meses de tentativas, de ansiedade, de aprendizado sobre o próprio corpo. Ainda assim foi rápido, eu sei. Ser tentante não é fácil. Quando dizem pra você "relaxar, porque a ansiedade só atrapalha" a vontade que sentimos é de sair na voadeira. Seja qual for o método contraceptivo que se use, ele é usado justamente pra prevenir uma gravidez não planejada. Então, a partir do momento que você decide ter um filho, é impossível parar de pensar nisso. Quando você pára a pílula ou a camisinha, é porque você DESEJA engravidar. Como simplesmente ignorar um desejo e deixar pra lá?
Tomei pílula por 10 anos seguidos. Quando parei, desenvolvi uma teoria: a pílula foi criada pra reprimir o desejo sexual das mulheres. É uma loucura o que acontece quando você pára! Nenhum beijinho é visto como simples haha..Meu primeiro ciclo após a parada da pílula levou 52 dias. CINQUENTA E DOIS DIAS! Depois do 30º dia, pensa em quantos testes de farmácia eu fiz? Em seis meses, vi meu corpo passar trabalho pra reaprender a fazer aquilo que seria natural dele: produzir hormônios, ou regulá-los novamente. Minha imunidade despencou, fiquei 4 meses com todas as "ites" disponíveis no mercado. Uma médica que me examinou disse nunca ter visto alguém ser tão afetada pela parada da pílula como eu. Com ciclos menstruais intermináveis, fui atrás de métodos que pelo menos me fizessem saber se eu já havia ovulado, pra poder identificar se realmente já estava atrasada ou era apenas meu corpo trabalhando lentamente. Nunca vi um termômetro com tão bons olhos, se tornou meu melhor amigo por um bom tempo! Descobri grupos de facebook com informações valiosíssimas, verdadeiras amigas de uma fase - como todas as outras da maternidade - tão solitária. Sei exatamente o dia em que a Lis foi feita.
Confesso, talvez um pouco mais de emoção também fosse divertido. Mas eu, a doida do planejamento, não conseguiria deixar escapar o controle justamente do meu corpo. No dia em que a menstruação deveria descer, no dia em que minha temperatura pela manhã deveria baixar, ela não baixou. Ali, numa manhã em que acordamos com falta de luz em casa, fiz o teste e as duas listras tão aguardadas apareceram. Sem nem imaginar que eu já vinha tendo sintomas, marido resolveu acordar comigo. Mostrei o teste e ele me perguntou: "como vamos criar um filho sem luz amor?" e me mandou esperar. Esperar o quê meu filho, nascer? Hahaha a reação dele foi engraçada! 
Ainda tenho salvo o gráfico de temperaturas de quando fizemos a Lis!
Eu sei, fazer o teste de gravidez sem estar atrasada pelo menos alguns dias não é recomendado. Fui ansiosa. Aliás, ansiedade é quase sinônimo de ser tentante. A cada teste negativo, a tristeza se instala. As pessoas ao redor não entendem. A cada chá-de-bebê cheio de barrigudas que você vai, um misto de alegria e vontade de que chegue logo a nossa vez tomam conta da gente. A cada história de "fulana engravidou sem querer", "de primeira", "eu não posso nem cheirar cueca que engravido" e "você deveria pensar em outra coisa" a vontade é de sair correndo. Até mesmo a história de que "tudo vem no momento certo" irrita, e a gente se pergunta porque o nosso momento nunca chega.
Lembro que eu morria de vontade de comprar uma roupinha de bebê, mas tinha medo de que aquela peça com cheirinho de neném pudesse de alguma forma dar azar. Eu que nem sou supersticiosa. A gente vira a doida dos bebezinhos, você só enxerga mulheres grávidas e bebês por onde passa, a lista de leitura só tem blogs e livros sobre o assunto, temos a sensação de que nunca vamos aprender tudo que se precisa pra criar uma criança. Não adianta, podem falar o que for pra seguirmos os instintos, a gente quer mesmo é ler as teorias. E quanta teoria, a começar pelas melhores posições! Lembro da história de botar as pernas pra cima depois da relação, pra ajudar os espermatozóides a chegarem lá no óvulo (nada comprovado, claro). Um dia inventei de pendurar o corpo pra fora da cama, pra garantir que ficariam beeeem elevadas as pernas...caí um tombasso de cabeça, ainda bem que marido não viu hahaha..Tem ainda que comer o miolo do abacaxi, cuidar com os chás, prestar atenção na lua..Fora toda a bateria de exames cada vez mais complexos que aparecem pra fazer e ver se está tudo ok.
Ao mergulhar nesse mundo, o aprendizado sobre o corpo, sobre os sentimentos, a visão sobre o mundo mudam a cada instante. A percepção sobre as pessoas também muda. Você descobre amizades que nunca poderia imaginar que tivessem as mesmas ideias que você. Se solidariza com a dor de outras mulheres de forma muito mais intensa. Se torna uma pessoa mais "humana", mais sensível. A maternidade me transformou, ainda que em alguns momentos tenha sido de uma forma difícil e dolorida. A cada sorriso que ganho pela manhã, a cada descoberta nova que minha filha faz, tudo vira recompensa. O amor só aumenta e me faz desejar que outras mulheres possam logo realizar o sonho que um dia eu também sonhei, e finalmente estou vivendo!

Você está vivendo essa fase de tentativas, foi demorado pra você? Vamos compartilhar nossos sentimentos e expectativas?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Sobre medos e acolhimentos


Filha, 

sexta-feira pela manhã teu pai foi trabalhar num evento do Hospital Infantil, uma festa linda chamada Celebração da Vida. Pra poder tomar um banho já que sairíamos à tarde, te coloquei no carrinho e levei comigo pro banheiro, aproveitando pra te colocar no vapor já que estavas meio gripadinha. É incrível como barulhos acontecem enquanto estamos no chuveiro, e assim que me molhei escutei nitidamente alguém abrir a porta de casa. Desliguei o chuveiro, chamei teu pai e nada, foi apenas impressão. Continuei o banho escutando até elefantes andando dentro de casa, e então uma série de medos povoaram minha mente. 
Quando decidimos ter um filho, o medo vem junto da decisão. Será que o financeiro será suficiente? Será que estamos preparados psicologicamente? Será que é a hora certa? Se a opção é não tê-los, acredito que exista o medo do arrependimento tardio. Começam as tentativas e junto o receio: e se eu não puder engravidar? E se demorar? Com o positivo em mãos, seja no susto ou planejado, vem o medo dos 3 primeiros meses. É muito comum as gestações não evoluírem, muitas vezes as mulheres nem mesmo ficam sabendo que estavam grávidas. Acho que nenhuma das vezes em que me sequei ao fazer xixi durante a gravidez deixei de olhar o papel pra ver se não havia sangue. O temido sangue de que tanto temos pavor. Nas ultras morfológicas, cada ok que recebemos do médico é um alívio. Lembro de chorar na ultra das 24 semanas, ainda que estivesse super preparada e fosse te amar qualquer que fosse o diagnóstico que a médica pudesse dar. E então vem o medo do nascimento, seja qual for a via que a mulher optar por fazer. Medo da cirurgia, medo da dor, medo do sofrimento. 
Nasce o bebê: E se eu não te amasse no primeiro instante? Se eu não te achasse bonita? E se eu não souber o que fazer quando chorar? E se eu não conseguir amamentar? E se parar de respirar enquanto eu durmo? Melhor dormir com o olho aberto (por isso as mães não conseguem dormir nos primeiros dias). Esquecem de dizer que quando nasce o bebê nasce também a mãe. Eu, que nunca havia segurado um bebê no colo, te peguei nos braços como se tivesse feito isso a vida inteira. 
Sexta, enquanto tomava banho e ouvia mil barulhos, só pensei que podia haver alguém dentro de casa, e meu único medo era que te pegassem e saíssem correndo. Juro, eu sairia pelada pelo prédio igual louca, pularia a sacada se preciso. Tenho medo de dirigir com você ali no banco de trás e alguém querer meu carro e te levar. Tenho medo de te esquecer em algum lugar. Tenho medo de não poder te ver crescer, e isso inclui agora o meu medo de morrer, eu que nunca tive medo da morte, até você nascer. Teu pai chegou contando as histórias das crianças que ele fotografou no hospital. Histórias lindas e de superação. Tenho medo de te ver sofrer. Medo de não saber te educar. Ou de te superproteger. Tenho medo de piscar e você estar uma criança enorme, me fazendo tentar entender em que momento eu dormi que não te vi crescer. 
Me coloco no lugar das mães que viveram ou vivem na pele aquilo de eu tenho medo, e imagino o quanto pode ser dolorido. As pessoas dizem que se deve seguir a vida, que a dor vai passar. Acredito que muitas vezes não seja isso que essas mulheres queiram ouvir, ou muitas vezes é justamente ser ouvida que essas mães e tentantes desejam. O sofrimento não é permitido em nossa sociedade filha, temos a obrigação de ser felizes, ou demonstrar a felicidade pelo menos. Falar sobre a dor gera constrangimento. Falar sobre medos pode ser visto como bobagem. E assim se segue, camuflando sentimentos, vivendo-os ainda mais intensamente. Pra mim, um sentimento que a gente ignora vira ainda mais profundo. Há um ditado que diz que depois da tempestade sempre vem a calmaria, mas se pudéssemos viver a tempestade de mãos dadas com alguém ela não seria tão longa ou devastadora. 
Sei que muitos medos ainda vou descobrir durante a tua vida. Me esforço pra te passar segurança, pra que sejas uma criança confiante e desinibida. Saiba que eu estarei aqui todas as vezes em que teus passos parecerem arriscados e precisares desabafar tuas incertezas e dúvidas. Que você também consiga acolher os medos e desabafos de quem te cercar, e que a pressão da sociedade não te faça desabar nos momentos em que precisares ousar!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobre sentir-se bem

Sobre sentir-se bem..sobre sentir-se novamente você..Quando a Lis tinha por volta de 2 meses, fomos a uma festa de família. Chegando lá, uma prima vendia cosméticos, shampoos e maquiagem. A mulherada, naturalmente, se atracava nos pincéis e disputava batons. Enquanto dava mamá e assistia àquela cena, lembrei de quanto tempo fazia que eu mal deixava o condicionador agir no cabelo, que por sinal andava há muito tempo mal preso em coques (e sujo, e branco). Minhas roupas de grávida estavam largas mas as de antes da gravidez ainda não me serviam ("anca" larga, barriga molenga parecendo uma pochete dividida e vazia). Depois de vestir minha bebê lindamente, havia tomado um banho corrido e mal passado um rímel, além de vestir uma das poucas camisas que me permitiam amamentar por cima, sem ter que fazer o mundo vislumbrar minha barriga. O rímel obviamente estava borrado e a sobrancelha tinha mais pelo que a chita. Somado ao descompasso hormonal bateu uma sensação de desespero: quanto tempo levaria pra eu voltar a ser eu mesma (dentro da nova Tai-mãe, claro)? Ao mesmo tempo que não estava nem aí e só queria curtir minha pequena coxudinha, pensava se algum dia voltaria a ter aquela voltinha na MINHA coxa que um dia tanto tive orgulho. Não me julgue: toda mãe sente saudades de si mesma antes da maternidade, ainda que em momento nenhum sinta desejo de ter aquela vida de volta. Então esse final de semana uma amiga me ligou pra irmos em uma loja de roupas comprar um presente. "Te prepara" disse ela, "as coisas são lindas e preço bom". Pensei, pensei, e com o coração apertado decidi deixar a Lis em casa com o pai dela e ir sozinha. Ela nunca mama muito de manhã mesmo, dei o mamazinho e saí correndo, teríamos 3 horas pra voltar pra casa. O estranhamento não foi só meu: a amiga também foi sentindo o vazio na cadeirinha do carro..e então eu me vi provando roupas, me curtindo, curtindo o meu corpo novamente (e achando o máximo o tamanho dos novos peitos - devidamente registrado em fotos para posterior aumento, doutora Stella, me aguarde!). Há um ano, desde que descobri a gravidez, não pensava tanto em mim mesma quanto naquelas 3 horinhas de sábado - o que não quer dizer que eu não tenha ligado ou recebido foto pelo whatsapp do marido, certificando-me de que Lis não tivesse pulado nenhum muro ou rolado pela primeira vez sem eu estar presente. E domingo eu levantei, laveeeei o cabelo, vesti a blusa nova e passei rímel decentemente, e de quebra o mais apertado dos shorts voltou a servir. E nada paga essa sensação de bem-estar que eu achei que nunca mais sentiria! É esse tipo de apoio que precisamos: de alguma forma, no tempo dela, permita à nova mãe que ela tenha um tempinho pra ela mesma. Assim como em todo tipo de relacionamento a pessoa precisa se amar pra amar o outro, a relação mãe-bebê precisa de uma mãe feliz e confiante em si mesma, há uma fusão psicológica muito grande entre os dois seres. Veja bem, não é somente sobre o corpo que eu falo: é sobre aquilo que te faz sentir bem contigo mesma, seja estar bem fisicamente, trabalhando ou qualquer outra coisa que te fazia feliz antes da gravidez. Novamente eu repito: é só uma fase, mãe e bebê vão se adaptar e ao normal as coisas vão voltar, você só precisa se acalmar hahahaha

3 meses de Lis - o puerpério e os pitacos

3 meses de Lis, 3 meses de amor, 3 meses de muito colo, peito, atenção e aprendizado. Tenho a sensação de que finalmente o trem da vida voltou aos trilhos. Embora a Lis seja uma bebê tranquila, que não teve as terríveis cólicas e muito pouco chore, em alguns momentos eu desejei que os tais três meses passassem rápido. O desequilíbrio hormonal após o nascimento, o famoso puerpério (tempo que o corpo e o psicológico levam pra voltar ao normal) pode ser um grande abismo em alguns momentos. A recém mãe está fisicamente bem, mas poucos conseguem enxergar e proteger o seu abalado lado emocional. É como se você estivesse naquele dia mais difícil da TPM, mas é muito mais intensa. Eu esperava ter menos dedos apontados e mais apoio. Menos conselhos e mais oferta de ajuda verdadeira. Os conselhos, de verdade, são enlouquecedores. Você pouco sai de casa com um bebê novinho, e nas vezes que sai tem vontade de voltar correndo praquele mundo onde ninguém te atormenta. E sabe qual a razão dos conselhos incomodarem tanto? Não há mãe empoderada e segura no mundo que aguente um bebê chorando sem pensar que a culpa pode ser dela.
Levei muito tempo pra escrever sobre isso pois tive medo de machucar alguém que tenha tentado me ajudar, pois sabemos que é somente essa a intenção de quem palpita. Quis esperar minhas emoções voltarem ao normal. A natureza é tão sábia que faz a gente esquecer de tudo, da dor do parto à loucura do pós-parto, e talvez por isso as próprias mães continuem palpitando, e também por isso eu esqueci das vozes que emitiam tantos palpites e questionamentos que ouvi. Poucos são os que me lembro, e por isso escrevo, pra tentar me curar e me libertar de algum sentimento que ainda me incomoda. Quando a Lis ainda nem um mês tinha me disseram que eu dava colo demais, e que tal neném dormia sozinho na caminha. Na hora não me importei, mas naquela noite a Lis só foi dormir às três da manhã. Eu chorei embalando-a, cansada, pensando em que momento eu estava errando pra ter uma bebê que não dormia. Mais tarde, descobri que não era recém-nascido que aquele bebê que falaram dormia sozinho. Alguém falou brincando com a Lis que o meu leite era muito fraco, e eu como nutricionista sei que isso não existe. Dois dias depois a Lis teve um pico de crescimento daqueles que deixa o bebê pendurado no seio o dia inteiro. Ela não chorava, mas ainda assim em certos momentos aquela fala me veio à cabeça: será que meu leite não sustentava? Passou o pico, ela continua no peito e já são 7 quilos de leite materno, mas a amamentação poderia ter ido ladeira abaixo se eu tivesse escutado de verdade a brincadeira.
Vejam bem, há uma diferença muito grande entre palpitar e responder a uma pergunta. No momento em que eu questiono, eu peço ajuda, eu estou aberta a ouvir, e então o que você fala pode fazer muito sentido pra mim e me ajudar de verdade. Nesse sentido, eu também me lembro de toda a ajuda que recebi de tantas mães, da voz carinhosa das amigas que já passaram por diversas situações parecidas e conseguiram me acalmar em tantos momentos. Porque só uma mãe que já passou por esse período de loucura consegue entender o que sentimos. Minha bebê não dormia antes da meia-noite, e num dia, cansada, pedi ajuda. E fiz TUDO o que me disseram pra fazer, até as simpatias. E subitamente, ou não tão subitamente assim, Lis passou a dormir às 9 da noite, embora em alguns dias isso escape. Não tenho como agradecer a sensação de acolhimento que senti em tantos momentos. A maternidade é um longo e solitário vôo para o desconhecido. Ter tido uma doula, muito mais do que apoio no parto, foi fundamental para o pós-parto. O grupo de mães que ela me fez conhecer tornou meus 3 primeiros meses divertidos e menos solitário, as queixas são as mesmas e perdi as contas de quantas vezes pedi apoio emocional e recebi. Gratidão também a essas mulheres.
Dizem que devemos curtir muito pois passa rápido, eu melhoraria essa frase. Temos que curtir muito mas relaxadas, sem a obrigação de fazer as coisas entrarem nos eixos tão rápido, como a própria sociedade nos cobra. Com o próprio tempo as coisas se ajeitam. Mãe e bebê só precisam de tempo e apoio pra se conhecerem, sem pressão, sem interferências, sem olhares tortos e julgamentos. 
Há cerca de uma semana Lis me olha nos olhos enquanto mama, muitas vezes sorri pra mim mamando. Há dois dias ela tenta tocar no meu rosto enquanto mama. Aprendi a reconhecer seus sinais de sono, e agora ela espera que eu cante pra ela dormir as sonecas da tarde. E resmunga junto com meu canto, como se cantasse junto. Em alguns dias, começou a projetar o corpinho pra frente, pra tentar sentar. Fica ansiosa pra falar e tocar nas coisas, mas seus bracinhos ainda não têm coordenação suficiente pra isso. Sorri muito, e também tem estranhado os lugares aonde vamos. Mas no meu colo tudo se ajeita, ela se acalma, dorme, se sente segura. Nada no mundo paga a sensação maravilhosa de acordar com um sorriso gigante de felicidade por me ver. 
Talvez pra você nada do que eu falei faça sentido, talvez eu tenha necessidade exagerada de entender meus próprios sentimentos, mas talvez o que eu falei te faça mudar teus conceitos. Meu marido esse final de semana me disse que me considera uma ativista. E eu fiquei feliz, pois se eu conseguir mudar a visão de apenas 1 pessoa em prol de outras tantas, isso já é mais do que suficiente. Portanto, fica aqui meu aprendizado e os sentimentos que levo dessa fase que deixo pra trás: respira, com o tempo as coisas se ajeitam. Mas o mais importante de tudo: protejam as puérperas. Gratidão àquelas com quem pude contar, nem que tenha sido pra jogar uma fralda suja no lixo ou olhar a Lis enquanto eu fazia um simples xixi. 

Escrito em 26 de outubro.

2 meses de Lis

"Pra você guardei o amor que nunca soube dar..Explicação nenhuma isso requer.." E passados os dois primeiros meses, depois do turbilhão de sentimentos que esse período me fez passar, pude encontrar nos teus olhos toda aquela explosão de amor que sinto por ti desde que soube da tua existência filha! Te deixei no sofá ontem e quando voltei, estavas ali olhando teus próprios dedinhos das mãos e acompanhando teus pezinhos..te reconhecendo como um ser diferente de mim, se descobrindo, talvez o teu primeiro passo de independência. E ao mesmo tempo que vibro com tuas conquistas diárias, com o que me ensinas todos os dias, me bate o medo por saber que não és minha, que viestes pra viver esse mundo totalmente livre e talvez não queiras ficar embaixo da minha proteção pra sempre. No dia em que completou 2 meses, você tomou seu primeiro banho de chuveiro comigo, e enquanto eu fui com calma botando tua cabeça embaixo da água pra não te assustar, tu me olhou com cara de "quero mais" e abriu o maior sorriso do mundo, me mostrando que és corajosa e que confias em mim! Acho que já me ensinasse muito mais do que eu pude imaginar, me fizesse conhecer um lado meu que não conhecia, me mostrasse que as coisas podem ser muito melhores e mais intensas do que desejamos. É muito amor pra caber em tão poucas linhas filha, é muita vontade de curtir cada segundo do teu lado!
Escrito em 1 de outubro.

3 conselhos

Pouco mais de um mês se passou desde que você chegou meu amor..e te olhando dormir agora eu só consigo pensar no tamanho do amor que sinto por você, um amor que chega a doer. Depois de dois dias de muito choro e colo, você começou a enxergar melhor, e agora só quer saber de ficar olhando fixamente pra tudo o que tem ao teu redor! Claro, me fazendo passear pela casa contigo no colo, porquê deitada no sofá as coisas estão muito longe né mãe! Agora, tenho quase certeza de que os sorrisos que você me dá quando acorda de manhã são realmente pra mim, ou que quando você está no meu peito mamando é nos meus olhos que você está vidrada. 
Passeamos sozinhas pela primeira vez essa semana, em dois dias. Fomos no shopping rapidinho, contigo no carrinho, andando pela rua, e fomos até a casa de amigos, com a mamãe dirigindo e você na cadeirinha. Preciso confessar duas coisas: senti saudades de você nos dois momentos, morri de vontade de te pegar no colo e abandonar o carrinho no meio da rua, não conseguia parar de te olhar através do espelhinho retrovisor do carro! E a outra coisa que quero confessar é que tive um medo ridículo: te esquecer! Sim filha, eu tive medo de te esquecer em algum lugar, como se isso fosse possível! Saí de casa e voltei com a plena sensação de que faltava algo, e não desgrudei o olho de ti em nenhum segundo! Imagina filha, até um mês atrás você não fazia parte da minha rotina, você fazia parte do meu corpo! A maternidade tem a incrível capacidade de deixar a cabeça de uma mãe louca! Por isso eu digo: respeite uma mãe recém-parida! Nenhum tipo de julgamento cabe nesse momento..

Filha, de todos os palpites que eu recebi durante a gravidez e depois que você nasceu, 3 foram fundamentais. Sim, os outros foram ouvidos, as pessoas só querem o nosso bem quando falam, mas eu resolvi seguir os meus instintos e crenças e deixá-los pra lá. 

O primeiro conselho foi pra não vestir o chapéu de estar em trabalho de parto antes de estar de fato. Se não fosse pelo nervosismo do teu pai, eu teria esperado mais em casa, acho que não teria dado tempo de chegar na maternidade de tanto que eu duvidei que já era a hora.
O segundo foi pra ler muito, tudo o que pudesse sobre amamentação antes de você nascer. Há um grupo maravilhoso no facebook sobre isso, e com certeza fez toda a diferença pra eu conseguir te amamentar como sonhava.
O terceiro e talvez mais importante foi lido em um texto: prepare-se para o puerpério. O puerpério é a fase pós parto em que o corpo e os hormônios voltam ao normal. Acredite filha: ele deixa a gente louca. Eu me preparei pra viver essa fase, eu nunca romantizei que seria simples e fácil. Graças a Deus, tenho muitas amigas que deixaram bem claro o quanto poderia ser difícil a nossa adaptação, eu e você, eu você e o papai. Ao mesmo tempo em que estava em êxtase por teres nascido, tive vontade de chorar por três dias seguidos, como se nada fizesse sentido. Ninguém fala sobre isso, mas sentir tristeza com um bebezinho lindo nos braços é mais comum do que se imagina, e ainda bem que passa! É a queda brusca dos hormônios, é a privação de sono, é o corpo esquisito que fica, é a falta de tempo de simplesmente tomar um banho! O amor que a gente sente também não é à primeira vista filha, ele vai surgindo, crescendo, à medida que vamos nos conhecendo e nos entendendo. A cada dia que passa, eu te amo mais, eu te acho mais linda, mais fofinha, e te ver se desenvolvendo é uma sensação maravilhosa! Já consigo diferenciar teus chorinhos, já entendo teus momentos de cansaço e de alegria. 
Escrever pra você nunca é fácil, falar sobre sentimentos pra mim não é fácil. Ainda mais sobre sentimentos tão contraditórios! 
Como todo jogo de videogame, a próxima fase é sempre mais difícil! Queria dar um pause no jogo pra te ter assim pequeninha por mais tempo, passa muito rápido e quando a gente se adapta, a fase acabou! Ops, você acordou e o meu mundo parou pra te atender, ai como eu amo você!

Escrito em 31 de agosto.

Sobre o parto

Das cenas divertidas que eu me lembro do parto da Lis:

- senti contrações o dia inteiro, mas fingi que não tava sentindo nada, afinal faziam 3 semanas que eu as sentia e nada acontecia. Léo resolveu fazer uma janta e chamou minha mãe pra jantar lá em casa..de boas, esse parto não vai engrenar mesmo, pode deixar ela vir;

- acho que nunca comi um prato de janta tão grande na minha vida. Eram dez e meia da noite e o prato tinha arroz com bacon, purê de batata com linguiça, batata recheada com carne, top! Minha mãe me olhou e disse: filha, tens que começar a comer menos, vai que uma hora dessas tu entra em trabalho de parto e precisa da cirurgia! Nada a ver mãe, deixa eu comer;

- as contrações começaram a apertar e a mãe e o Léo no maior trelelê de conversa..eu fingindo que não sentia nada, conversando com eles e discretamente mandando mensagem pra doula e pra fotógrafa: olha, tá doendo diferente aqui, de amanhã não passa..minha mãe olhou minha barriga durante uma contração e disse: que barriga quadrada Tai..é mãe, é uma contração de treinamento, normaaaal (e respirando pra não mostrar que tava doendo);

- mãe saiu, fechei a porta às 23:30, virei pro Léo e falei: de amanhã não passa, acho que vou baixar um aplicativo pra ver quanto tempo dura essa contração (achando que elas vinham espaçadas e duravam 5 segundos)..Léo caiu na gargalhada (acho que ficou nervoso) e resolveu que aquela era uma ótima hora de arrumar a fechadura da porta que estava travando! Todo mundo diz que começo de trabalho de parto a dor é tranquila, será que já posso pedir pra sair? Se piorar vou morrer, pode pedir anestesia em casa, tipo delivery?

- Léo vou tomar banho, quando eu disser tu aperta o Play do aplicativo. E aí, de quanto em quanto tempo tão vindo minhas contrações? Intervalo de 1 minuto e meio a três minutos, e durando mais de um minuto. Uau, acho que tá chegando a hora! Manda mensagem pra doula, ela diz que podemos ir no Ilha avaliar! Tá boa essa roupa amor?

- a caminho da maternidade, tinha certeza que era alarme falso, depois que passou uma contração falei: saporra vou chegar lá e o médico vai dizer que é infecção urinária quer ver? Só sinto dor nas costas, isso não é trabalho de parto, eu ainda consigo falar e rir..

- chegamos no Ilha, esperamos quase 40 minutos pra avaliação, o médico me olhou com cara de "tu é mãe de primeira viagem, ainda nem sabes o que é dor". Vais parir comigo ou com teu médico? Pode chamar que já tens 7 cm de dilatação! Virei pro Léo, chorei rindo e falei: ele tá mentindo né?

- em minutos chegaram doula, médico, fotógrafa. O Médico era backup da minha obstetra, tínhamos consulta marcada pra dali a dois dias pra nos conhecermos. Prazer, sou Fernando, posso desmarcar tua consulta de segunda? POR FAVOR! Uau, você só fez duas ultras? Parabéns! Valeu doutor, sou tranquila né?

- quero entrar na banheira mas quero fazer xixi..mas dói pra sentar e fazer xixi, deixa a contração acabar..ufa passou, corre que tenho um minuto de intervalo!

- ai delícia essa banheira quentinha, alivia a dor...caraaaaaaaai tá vindo outraaaaa! (Eu não falo palavrão) A Cris (doula) me diz: deixa a Lis vir Tai..eu to deixandoooo mas dói pra caraaaaai!

- uma força que vinha do além e meu corpo todo se contraindo involuntariamente, era inevitável o grito, lembrei de ter visto um enfeite de porta na porta do lado da sala de parto. No intervalo entre as contrações, quando eu já estava quase ganhando, virei e falei: é sério que tem um quarto do lado da sala de parto? Eu ia ficar indignada se tivessem me colocado lá! Hahahhaha e quem tava ali falou: é sério que tais pensando nisso agora?

- marido desmaiou sentado..tira ele da banheira..a Lis ta nascendo..ai que delícia sentir o corpinho dela escorregando pra nascer..Oiii filha, mamãe tá aqui..calma meu amor, papai tá bem, ele já volta aqui pra ficar com a gente tá? Gente, daonde é esse nariz dela?

- saí da banheira, toda suja, sangue correndo, me mandaram deitar na maca..ai é sério? Eu odeio deitar molhada! Médico analisou, tá linda, vou ter que dar só um pontinho pq pegou uma veia e não pára de sangrar. Tá bom, mas tu vai me dar essa injeção da anestesia onde? "Na tua testa! Engraçada ela né?" Hahaha não custa perguntar né!

- huuum, lanchinho, ai eu amo esse misto quente do Ilha!

Com certeza, ter uma equipe em quem eu confiava de olhos fechados foi o melhor investimento! Pra mim, as lembranças do parto são divertidíssimas e eu ainda estou em êxtase! Obrigada!

Escrito em 3 de agosto.

Despedida da barriga

Oi filha,

Dessa vez quem sentou pra escrever uma cartinha pra você foi a mamãe. Demorei muito, muito mesmo pra conseguir botar no papel o que rolava na minha cabeça. Meses, muitos além dos 9 que vivemos juntas enquanto você está na minha barriga. Sabe, você provavelmente vai saber um dia o que eu senti nesse tempo todo. Tantos medos, tantas angústias, tantas alegrias. Quando seu pai chegou em casa no dia das mães do ano passado, numa cena engraçadíssima de jogar meus anticoncepcionais no vaso sanitário, um a um, dizendo que não precisávamos mais esperar pra ter um bebê, eu caí na gargalhada. Não foi por achar engraçado, foi por puro nervosismo. Na hora deixei ele falar tudo o que queria, desabafar todo o desejo dele. Confesso que pensei em comprar outra cartela e continuar me prevenindo, mas então eu refleti: faltavam 6 meses pra acabar a faculdade, e eu dizia que engravidaria depois que ela acabasse. Mas, na minha mente, eu já buscava alguma outra coisa pra me ocupar e adiar o plano de ser mãe. Começava a buscar a ideia de fazer um mestrado ou pegar uma licença pra viajar por um ano. Sabe o que era isso? MEDO. Nada além disso. 
Se há uma coisa que meus pais buscaram me ensinar e fizeram muito bem, mesmo com toda a superproteção que recebi, foi a ser uma pessoa independente. Se eu quero, eu que corra atrás, ninguém vai correr por mim. E ter a sensação de que, ao ter um filho, eu não seria mais só eu me apavorava. Ou me apavora ainda, confesso. Mesmo tendo saído da casa da mãe e me casado, meu relacionamento com teu pai seguiu a mesma linha: não somos uma única vida. Somos duas pessoas livres que resolveram se unir pra trocar amor e felicidade, e não necessariamente temos os mesmos objetivos nem precisamos estar juntos o tempo inteiro. Nosso relacionamento se baseia em muita cumplicidade, lealdade, carinho e respeito. Sabemos que estaremos sempre ali um para o outro, nos apoiando e incentivando. Imaginar que a partir de agora minha vida viraria de cabeça pra baixo, que alguém dependeria 100% de mim, que eu precisaria ser forte em momentos que eu vou querer somente desabar, que eu não poderia mais simplesmente pegar o carro e sair quando quisesse, ou dormir deliciosamente como eu amo em todos os momentos disponíveis foi o maior desafio que já me propuseram. Dia desses, conversando sobre meus anseios com teu pai, ele me disse: tu te imaginavas casada? E eu disse que não. E então ele me fez enxergar que, assim como hoje nossa vida é de casal e totalmente normal, assim será quando você chegar. Nós não conseguiremos imaginar como vivemos durante tanto tempo sem você. 
Filha, a maternidade é uma loucura. Você passa meses tentando engravidar, e confesso que eu tinha medo de levar muito mais tempo. 6 meses tentando foi até rápido demais. E então eu vi as duas listrinhas naquele teste. E contei pro teu pai. Ele levou 3 dias pra assimilar e entender. Lembro de vê-lo sentado no sofá refletindo e digerindo. Vou confessar uma coisa que talvez muitas mulheres não consigam nem mesmo admitir, ou entender o sentimento: eu levei muito mais do que 3 dias. Ao mesmo tempo em que explodia de alegria de saber que estavas no meu ventre, eu vivia um luto. Te digo que os tais primeiros 3 meses de gravidez serviram pra isso: entender o que estava acontecendo. Pra mim, lutos existem pra serem vividos. Um luto que você não vive te faz carregar um sentimento pra sempre. E eu me permiti. Não era um luto de tristeza, não quero que imagines isso. Era apenas a sensação de estar me libertando da Tai sozinha, do ser independente que morria ali, de estar me preparando pra te receber com toda a energia que eu tivesse. Coisas do passado que eu nem sabia que me incomodavam retornaram à minha mente. Dizem que criar filhos é enfrentar a própria infância, e sim, foi muito isso que eu senti. Teve quem não entendeu meus anseios, me achou esquisita. Era apenas eu tentando digerir coisas que me incomodavam mas eu não sabia como lidar. Ausências, desentendimentos. E eu entendi que não adiantava eu tentar mudar o que estava lá atrás, nem as pessoas enxergariam o que eu achava que tinha sido feito de errado. E passou. Eu vivi o luto e deixei ele lá atrás. E então eu consegui me apaixonar por você, e eu lembro do dia em que senti a sensação de estar livre da angústia e te amar. E então a barriga aparece e você descobre quanto amor é capaz de receber de pessoas que você nem imagina. Amigos que te amam desde o dia em que souberam que você existia. É muito amor filha, muita energia positiva que nos cerca. E tanta ocitocina (o hormônio do amor) me fez me sentir ainda mais apaixonada pelo teu pai. Porque foi ele quem deu o “start” pra te recebermos, porque o amor que ele sente por ti e a forma como ele lidou comigo durante toda a gravidez me fizeram notar ainda mais o ser humano incrível que ele é. A capacidade inesgotável dele de se preocupar com a felicidade de quem o rodeia. Tudo que diz respeito a ti foi idealizado por ele filha. Foi ele quem pintou teu quartinho, quem escolheu os móveis, quem escolheu teu nome, quem já sonhou contigo diversas vezes, quem chorou por ti a primeira vez. Não tem um dia que ele não te imagine nos braços dele, deitada com ele, abraçada com ele. Eu te carrego na barriga, mas ele carrega teu espírito na mente e no coração o tempo inteiro. 

Eu sempre achei que curtiria estar grávida. Eu não imaginei que eu amaria tanto essa sensação. Eu poderia ficar grávida pelo resto da vida. Não posso reclamar. Não tive enjôos, não tive dores, até meu sono diminuiu. Me exercitei, me alimentei bem, tive acompanhamento de grandes amigas nessa fase. Te sentir se mexer na minha barriga é uma delícia. Eu já tive saudades de você aí dentro, mesmo você ainda estando aí dentro. E agora estou aqui, me despedindo da barriga, tentando te dizer que você já pode vir filha. Eu já me sinto pronta. Dizem que o que dói no parto não é físico, é emocional. Eu me preparei pra esse momento meu amor. Eu já pari meus medos, eu já me permiti desabafar meus anseios. Eu sei que não vai ser fácil te fazer nascer, mas eu quero que você venha e me faça também renascer. Ser mãe é ser julgada o tempo inteiro meu amor. Fazendo o certo ou o errado, não importa, as pessoas vão me julgar. E sinceramente isso não me incomoda. O mundo não está simples de se viver também. Mas eu prometo tentar te mostrar o melhor dele filha. Eu quero te mostrar que sim, é possível enxergar o lado lindo de tudo o que se vive. SEMPRE há um lado positivo. Eu estarei aqui, sempre que você precisar, desfeita de qualquer ideia, com a mente aberta pra te escutar e te apoiar no que quiseres fazer, tentando sempre te orientar a ser correta, leal e justa. Deus me deu a alegria de te gerar, e você já me ensinou muito mesmo não tendo nascido ainda. E eu hoje só quero que nasças logo, que tenhas muita saúde (e você não sabe o quanto eu me sinto livre de poder desejar que tenhas sim, muita saúde – agradeço ao teu pai e à delicadeza dele em acolher meus medos) e que sejas muito, muito feliz. Vem bebê, vem conhecer tua casinha, tua família, o amor que sentimos por você!

Escrito em 9 de julho - 38 semanas de gestação

Eu queria ter um dom - agora eu tenho a Lis!

Queria ser endocrinologista para trabalhar com dieta. Descobri que Nutrição era o caminho. Durante a faculdade, notei que era boa mesmo com números, planejamentos e finanças. Me formei nutricionista mas nunca atuei na área. Cursei administração, me formei também e hoje sou servidora pública. 
Sempre me senti perdida num mundo onde todos ao meu redor tinham nascido com vocação pras suas áreas. Faltava um dom, algo que fosse uma paixão desde criança. Vivi intensamente muitas fases - a de filha, a de noiva, a fitness, a de concurseira. E então, depois de tanto buscar algo que me desse a sensação de estar completa, depois de achar que estava infartando enquanto dirigia devido ao excesso de trabalho, desacelerei. Engravidei. Nasceu a Lis, meu bem mais precioso. Pra tentar me entender no meio do descontrole hormonal do puerpério, comecei a escrever. Me disseram que eu devia criar um blog, pra ajudar tantas outras mulheres e também ser ajudada por elas. E então aqui estou, tentando me encontrar no meio da loucura que é a maternidade, mas ainda buscando aquele dom que deve estar escondido em algum lugar do meu corpo ou da minha cabeça!

Vamos conversar, nos ajudar, escreve pra mim: thaisy.fernandes@hotmail.com